Victor Ruiz Garcia/Reuters
Victor Ruiz Garcia/Reuters

Agência dos EUA lava dinheiro para cartéis do México

Agentes enviam milhões de dólares ao país vizinho para descobrir quem são os traficantes

O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2011 | 03h05

WASHINGTON  - Agentes americanos disfarçados têm lavado dinheiro e contrabandeado milhões de dólares para o México. De acordo com funcionários e ex-funcionários do governo, a ação faz parte da estratégia de Washington para expandir sua participação no combate aos carteis mexicanos.

Segundo informações de investigadores envolvidos na operação, a ideia é enviar de maneira ilegal uma pequena fortuna para o México para descobrir como as organizações criminosas movimentam seus recursos, onde elas guardam o dinheiro e, o mais importante, quem são os seus líderes.

O procedimento é simples. Em alguns casos, os agentes disfarçados de traficantes recolhem os rendimentos obtidos com a venda de drogas nos EUA, depositam em bancos americanos e enviam para os cartéis no México.

Em outros casos, agentes mexicanos e americanos disfarçados recebem os dólares dos traficantes no México. Eles levam o dinheiro em voos oficiais para os EUA e o depositam em contas de empresas que prestam serviços aos cartéis. As autoridades dizem que esse tipo de operação é comum em outros países, mas que começou a ser feita no México há poucos meses.

A estratégia de alto risco levanta questões delicadas sobre a eficácia da DEA em prender os chefões do tráfico, sobre a violação da soberania mexicana e caminha perigosamente na linha tênue que separa a segurança da facilitação do crime. Ao lavar o dinheiro da droga, a DEA permite que os cartéis continuem suas operações por meses ou anos antes de realizar uma prisão.

Essa é justamente a maior preocupação do Congresso, que recentemente criticou uma operação conhecida como "Fast and Furious", em que os agentes do Bureau de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos permitiram o contrabando de armas para o México para rastrear traficantes.

Ex-funcionários da DEA, no entanto, rejeitam as comparações. Dinheiro, segundo eles, representa uma ameaça muito menor à segurança pública. "Essas não são pessoas que encontramos facilmente nas ruas", disse Robert Mazur, ex-agente da DEA. "Eles (os traficantes) ficam muito isolados e a única maneira de chegar até eles é seguir o dinheiro."

Não está claro ainda se esse tipo de operação compensa o risco envolvido. Até agora, há poucos sinais de que o rastreamento do dinheiro tenha reduzido as ações dos cartéis ou que os narcotraficantes mexicanos estejam com problemas financeiros.

Apreensões. No ano passado, a DEA apreendeu cerca de US$ 1 bilhão em dinheiro e em drogas, enquanto o México confiscou apenas US$ 26 milhões em investigações ligadas à lavagem de dinheiro - uma fração mínima da receita ilegal que circula anualmente entre os dois países, estimada entre US$ 18 bilhões e US$ 39 bilhões.

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