Chris Jackson / POOL / AFP
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Agência Europeia de Medicamentos decide sobre vacina nesta semana

Órgão regulador europeu tem reunião para discutir o tema nesta segunda, 21; caso não se pronuncie, outra reunião está marcada para o dia 29

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2020 | 09h00

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) pode se pronunciar nesta segunda-feira, 21, sobre a vacina contra a covid-19 da Pfizer-BioNTech, o que poderia garantir o início à vacinação na União Europeia antes do fim do ano.

O Comitê de Medicamentos de Usos Humanos da agência antecipou em uma semana a reunião, que inicialmente estava prevista para 29 de dezembro, durante a qual deve anunciar se autoriza ou não a vacina Pfizer-BioNTech. A mudança de data aconteceu por pressão da Alemanha e de outros países, que desejam uma decisão rápida.

Os Estados membros da UE pretendem iniciar a campanha de vacinação em 27 de dezembro, desde que a EMA autorize, anunciou a Comissão Europeia. Caso o comitê da EMA não anuncie uma decisão nesta segunda-feira, outra reunião acontecerá em 29 de dezembro.

A agência reguladora europeia havia anunciado que tomaria uma decisão quando os "dados sobre qualidade, segurança e eficácia da vacina fossem suficientemente sólidos e completos para determinar se os benefícios são maiores que os riscos". A EMA também pretendia tomar uma decisão sobre a vacina do laboratório Moderna em 12 de janeiro, mas também antecipou a reunião em uma semana.

A vacina desenvolvida pela gigante americana Pfizer e a empresa alemã BioNTech demonstrou eficácia de 95% nos testes clínicos internacionais em que foram administradas duas doses com três semanas de intervalo.

A Pfizer-BioNTech apresentou no dia 1 de dezembro uma solicitação de autorização e a EMA respondeu que tomaria a decisão em 28 de dezembro. Mas depois que Reino Unido, Estados Unidos e Canadá aprovaram o uso emergencial e iniciaram campanhas de vacinação, vários países do bloco reclamaram da lentidão do processo de decisão da agência europeia, incluindo Alemanha, Polônia e Hungria.

A EMA fez uma "análise contínua" dos dados procedentes das análises dos laboratórios e testes clínicos à medida que eram enviados. Em um período normal, a agência só examina os dados após o envio de todas as informações.

A EMA também sofreu um ciberataque no qual foram roubados dados sobre a Pfizer/BioNTech e a Moderna, mas o problema não teve impacto no calendário, segundo a agência.

Se a EMA autorizar a vacina nesta segunda-feira, a Comissão Europeia pretende aprovar rapidamente a decisão de iniciar a vacinação em toda a União Europeia, que tem quase 450 milhões de habitantes.

Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, México, Costa Rica, Equador, Arábia Saudita, Israel, Singapura e Suíça já autorizaram a vacina Pfizer-BioNTech e alguns iniciaram as campanhas de vacinação.

Interpol prevê aumento de crimes

Com a possibilidade próxima da liberação da vacina, o diretor da Interpol, Jürgen Stock, advertiu que haverá um aumento "significativo" dos crimes durante o translado das doses do imunizante.

"Com o translado das vacinas, o crime vai aumentar de maneira importante", disse Stock à revista alemã Wirtschaftswoche.

"Vamos assistir a roubos, saques de armazéns e ataques durante o transporte das vacinas", completou, horas antes de o órgão regulador do setor de saúde se reunir para autorizar a primeira vacina na União Europeia.

Os países europeus já preparam esquemas de segurança para o transporte e armazenamento das vacinas. Na Alemanha, por exemplo, o encargo será da Polícia Federal, que acompanhará o transporte. As vacinas serão armazenadas em locais secretos./ AFP

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