AFP PHOTO / JUNG YEON-JE
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Agência Internacional de Energia Atômica condena teste nuclear da Coreia do Norte

Conselho de Segurança da ONU fará uma reunião a portas fechadas ainda nesta sexta-feira sobre a ação a pedido de EUA, Japão e Coreia do Sul

O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2016 | 10h48

VIENA - A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) denunciou nesta sexta-feira, 9, o anúncio da Coreia do Norte sobre um teste nuclear como uma "clara violação" das resoluções do Conselho de Segurança e um ato "preocupante e lamentável".

"Peço categoricamente à Coreia do Norte que aplique totalmente todas as resoluções pertinentes do Conselho de Segurança da ONU e da AIEA", afirmou em comunicado Yukiya Amano, secretário-geral do organismo na ONU.

Amano lembrou que o teste seria o segundo realizado em 2016 e o quinto do regime de Pyongyang desde 2006, e uma violação da resolução 2270 do Conselho de Segurança. "É uma clara violação de várias resoluções do Conselho de Segurança da ONU e em completa contradição com as repetidas exigências da comunidade internacional. É um ato profundamente preocupante e lamentável", denunciou o diplomata japonês.

Amano voltou a oferecer a colaboração da AIEA para resolver o conflito nuclear com a Coreia do Norte, país do qual seus inspetores foram expulsos em 2009.

O Conselho de Segurança da ONU realizará uma reunião a portas fechadas ainda nesta sexta-feira sobre o teste nuclear da Coreia do Norte a pedido de EUA, Japão e Coreia do Sul, disseram diplomatas.

Reações. O presidente dos EUA, Barack Obama, disse que quaisquer ações provocativas da Coreia do Norte terão "sérias consequências". Ele foi informado a bordo do Air Force One pela assessora de segurança nacional, Susan Rice, sobre atividades sísmicas nesta sexta-feira relatadas próximas ao local de testes nucleares na Coreia do Norte, disse o secretário de imprensa da Casa Branca, Josh Earnest.

O presidente também qualificou de "provocação" o teste nuclear e reiterou "o compromisso inquebrantável dos EUA com a segurança dos aliados na Ásia e no mundo todo". Obama conversou com a presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, e com o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe.

O ministro russo de Relações Exteriores, Serguei Lavrov, disse que se deve transmitir de maneira "muito forte" ao governo de Pyongyang uma mensagem sobre o cumprimento das resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

O ministro das Relações Exteriores britânico, Boris Johnson, qualificou de "grave preocupação" o teste nuclear e indicou que consultará seus parceiros internacionais para dar uma "resposta firme". Em um breve comunicado divulgado pelo Foreign Office, Johnson afirmou que este teste representa uma ameaça à paz e à estabilidade na região, além de uma "flagrante violação" das resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

"O Reino Unido condena com firmeza a Coreia do Norte por realizar outro teste nuclear", acrescentou o titular da diplomacia britânica, que disse já ter falado com os ministros das Relações Exteriores do Japão e da Austrália.

O governo alemão convocou nesta sexta-feira o embaixador da Coreia do Norte em Berlim após o teste nuclear realizado pelas autoridades de Pyongyang. Em entrevista coletiva, o porta-voz da Chancelaria, Steffen Seibert, condenou "com toda contundência" a realização do teste e disse que a Coreia do Norte procura de maneira "irresponsável" avançar na desestabilização do nordeste asiático.

Veja abaixo: Coreia do Norte simula ataques nucleares

A detonação da bomba nuclear anunciada pela Coreia do Norte é mais um passo rumo ao aperfeiçoamento de sua tecnologia, alertou em Viena, capital da Áustria, Lassina Zerbo, secretário-geral da Organização de Proibição Total de Testes Nucleares (CTBTO, na sigla em inglês).

"É aterrorizador. Porque enquanto falamos de sanções, a Coreia do Norte segue anunciando testes nucleares", afirmou o especialista de Burkina Fasso em entrevista coletiva. Zerbo disse que este quinto teste nuclear norte-coreano parece ter sido "ligeiramente" mais potente do que o realizado em janeiro deste ano.

"Quantos mais testes a Coreia do Norte fizer, mais capacidade técnica em relação ao desenvolvimento de armas atômicas ela terá. Será tarde demais quando nos dermos conta para falar de desnuclearização, porque será mais e mais difícil", advertiu o secretário-geral da CTBTO. / REUTERS e EFE

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