Agência marítima teme possível vingança de piratas

A morte de três piratas somalis no resgate da Marinha dos Estados Unidos de um capitão de um cargueiro ontem e a morte de dois piratas em um resgate comandando por embarcações francesas na sexta geraram preocupações de que possa aumentar o risco de futuros sequestros na movimentada rota marítima no Oceano Índico. A Agência Marítima Internacional afirmou hoje que apoia a ação de França e EUA, mas advertiu sobre a possibilidade de retaliação por parte dos piratas. "Nós aplaudimos a ação de EUA e França. Sentimos que eles estão executando a medida correta, ainda que os resultados às vezes possam ser nocivos", disse Noel Choong, do centro de pirataria do órgão na capital malaia, Kuala Lumpur.

AE-AP, Agencia Estado

13 de abril de 2009 | 11h40

O resgate do capitão Richard Phillips ocorreu dias após tiroteios no mar na sexta-feira envolvendo embarcações francesas, que atacaram um barco mantido pelos piratas, mataram dois deles e libertaram quatro reféns franceses. O proprietário do navio, também francês, morreu no confronto. Especialistas indicam que a pirataria no Oceano Índico, nas proximidades da Somália, entrou em uma nova fase, após o resgate de Phillips.

Familiares dos 228 sequestrados, que estão em 13 diferentes navios ainda mantidos pelos piratas, temem vinganças. "Os libertados têm sorte, mas e os que permanecem presos?", questionou Vilma de Guzmán, mulher do marinheiro filipino Ruel de Guzmán. Ele e outros 22 filipinos são mantidos reféns desde 10 de novembro. A operação de resgate norte-americana "pode ser prejudicial para os reféns restantes, porque os piratas podem voltar sua fúria contra eles".

Até agora, os piratas somalis nunca feriram reféns estrangeiros, exceto um taiwanês morto em circunstâncias ainda não explicadas. Na verdade, muitos dos ex-reféns dizem ter sido bem tratados enquanto os resgates eram negociados. Choong aponta que ocorreram 74 ataques neste ano, com 15 sequestros. Em todo o ano passado, foram registrados 111 sequestros. Aproximadamente 20 mil navios marcantes passam pelo Golfo do Áden anualmente, rumo ao Canal de Suez.

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