AFP PHOTO / Presidency / JHONN ZERPA
AFP PHOTO / Presidency / JHONN ZERPA

Agência reduz nota de crédito da Venezuela

Fitch rebaixa classificação de rating após sanções aplicadas pelos EUA, que também prejudicam venda de petróleo

O Estado de S.Paulo

30 Agosto 2017 | 19h53

NOVA YORK - A agência de classificação de risco Fitch rebaixou nesta quarta-feira, 30, o rating soberano da Venezuela de CCC para CC, em razão das sanções aplicadas pelos EUA após o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, levar adiante a eleição de uma Assembleia Constituinte. A decisão reflete a visão da agência de que “um default é provável, dadas as novas reduções das opções de financiamento para o governo venezuelano”.

As sanções proíbem qualquer cidadão ou entidade dos EUA de realizar transações com o governo venezuelano ou com a petrolífera estatal PDVSA. “A liquidez externa da Venezuela já estava fraca antes das sanções”, diz a Fitch. “As reservas internacionais brutas recuaram ainda mais em 2017, em quase US$ 1,2 bilhão no ano fiscal encerrado em agosto, para US$ 9,8 bilhões.”

As sanções à PDVSA causaram a interrupção de parte das exportações de petróleo venezuelano para os EUA, pois os bancos e os fundos de investimento rejeitaram emitir cartas de crédito a potenciais compradores, revelaram fontes financeiras. Empresas americanas estão proibidas de negociar com qualquer alvo de sanções dos EUA e uma das fontes disse que as medidas americanas contra o vice-presidente financeiro da PDVSA, Simon Zerpa, estão impedindo alguns empresários de investir na companhia, já que muitas transações estão vinculadas ao departamento que ele controla.

As cartas de crédito, emitidas por bancos, garantem aos vendedores que um comprador pagará um valor específico quando o acordo de venda é fechado. Sem essa carta de crédito, os envios não podem ser feitos e o exportador não recebe. 

Alguns clientes americanos podem importar sem as cartas de crédito, mas desde que paguem à vista. O bloqueio das cartas de crédito para a PDVSA estrangulará o fluxo de dinheiro, que é desesperadamente necessário para a Venezuela.

A PDVSA é o motor financeiro do governo de Maduro e está operando em meio à pior recessão econômica já vivida pelo país. Em seu documento, a Fitch chama a atenção também para a deterioração do ambiente político na Venezuela. “O resultado do processo eleitoral de 30 de junho, combinado às sanções americanas, deve aprofundar as incertezas políticas e agravar a crise econômica. Tal cenário acirrará ainda mais a polarização política e as agitações sociais.” De acordo com a Fitch, a economia da Venezuela deve recuar pelo quarto ano consecutivo em 2017, com uma contração de 5,5% – após já ter caído 18,6% em 2016. / REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.