REUTERS/Dado Ruvic
REUTERS/Dado Ruvic

União Europeia aprova uso de vacina da AstraZeneca em pessoas com idades entre 18 e 64 anos

Decisão atende à recomendação da Alemanha de não imunizar idosos por falta de dados sobre eficácia

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2021 | 13h08
Atualizado 29 de janeiro de 2021 | 22h55

BERLIM - A Comissão Europeia aprovou nesta sexta-feira, 29, o uso da vacina da Universidade de Oxford e da AstraZeneca contra a covid-19 para pessoas com mais de 18 anos, após recomendação da Agência Europeia de Medicamentos. Ela será a terceira que poderá ser distribuída entre os 27 países-membros depois da Pfizer/BioNTech e Moderna.

A União Europeia precisa urgentemente de mais doses para acelerar seu programa de inoculação. No entanto, fornecedores como AstraZeneca e Pfizer enfrentam dificuldades para entregar as quantidades prometidas para os primeiros meses do ano. 

Atendendo recomendação da Alemanha, a vacina da AstraZeneca deve ser aplicada apenas a pessoas com idades entre 18 e 64, em razão da falta de dados sobre sua eficácia em idosos. “Ainda não há resultados suficientes em participantes mais idosos para fornecer uma panorama de quão bem a vacina funcionará neste grupo”, disse na quinta-feira o comitê de vacinas da Alemanha. 

A vacina é a terceira que recebeu sinal verde do bloco europeu, depois das produzidas pela Pfizer e Moderna. Muitos países do continente têm lutado para vacinar pessoas rapidamente como fazem Estados Unidos, Israel e Reino Unido, e há muito se esperava a aprovação da vacina da AstraZeneca, para tentar acelerar o processo. 

A UE aposta fortemente na vacina, que é mais barata e mais fácil de controlar do que outras concorrentes. O bloco fez um pedido de 300 milhões de doses a serem entregues após autorização e tem a opção de comprar outras 100 milhões.

A AstraZeneca elogiou imediatamente a aprovação de sua vacina, prometendo “um acesso amplo e justo” ao produto, em meio à tensão com a UE em razão de prazos de fornecimento dos imunizantes.

Pressão

Nesta semana, a União Europeia começou a investigar se as vacinas produzidas no bloco foram destinadas ao Reino Unido em meio à escassez nos países europeus. Na quarta-feira, inspetores da agência de medicamentos da Bélgica, a pedido da Comissão Europeia, foram vistoriar uma fábrica da AstraZeneca, em Seneffe, a 40 quilômetros de Bruxelas. Eles recolheram documentos e agora vão apurar se as doses compradas pela UE teriam sido desviadas.

A blitz na fábrica foi feita após a empresa britânica divulgar, na semana passada, que não conseguiria cumprir seus contratos de entrega – 80 milhões de doses no primeiro trimestre. A AstraZeneca alegou problemas na produção, mas a explicação não convenceu a UE. A campanha de imunização do Reino Unido está hoje bem mais adiantada do que a do bloco europeu, o que tem pressionado os governos locais. A fábrica da AstraZeneca na Bélgica é a principal fornecedora das vacinas para o Reino Unido.

Aumentando a pressão, a Comissão Europeia publicou nesta sexta-feira o contrato de compra dos imunizantes, ocultando vários parágrafos de comum acordo com o laboratório, no qual a AstraZeneca promete seu “melhor esforço” para cumprir com os objetivos e coloca as fábricas britânicas à disposição. 

Além disso, a Comissão Europeia anunciou nesta sexta-feira a adoção de um mecanismo de controle da exportação de vacinas contra a covid fabricadas no território europeu. “Esta transparência não era suficiente, e é fundamental nesse momento”, afirmou o vice-presidente executivo, Valdis Dombrovskis. / REUTERS, AFP e AP

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