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Agência russa divulga vídeo da maior bomba de hidrogênio já detonada

Agência de energia nuclear Rosatom divulgou imagens até então sigilosas do teste da 'Bomba Czar', de 1961, detonada pela então União Soviética

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2020 | 19h51

As bombas de hidrogênio - as armas mais mortais do mundo - teoricamente não têm limite de tamanho. Quanto mais combustível, maior será a explosão. Quando os Estados Unidos, em 1952, detonaram a primeira do mundo, sua força destrutiva era 700 vezes maior que a da bomba atômica que destruiu Hiroshima.

E nos dias mais sombrios da Guerra Fria, os soviéticos e os americanos não competiram apenas para construir o máximo de armas. Cada um deles procurou construir a maior bomba de todas. “Houve uma corrida dos megatons - quem teria uma bomba maior”, disse Robert S. Norris, um historiador da era atômica. “E os soviéticos venceram.”

Na semana passada, a agência de energia nuclear russa, Rosatom, lançou um documentário de 30 minutos, até então secreto, sobre a maior detonação de bomba de hidrogênio do mundo. 

A força explosiva do dispositivo - apelidado de a 'Bomba Czar' e disparado em 30 de outubro de 1961 - foi de 50 megatons, ou o equivalente a 50 milhões de toneladas de explosivo convencional. Isso a tornou 3.333 vezes mais destrutiva do que a arma usada em Hiroshima, no Japão, e também muito mais poderosa do que a arma de 15 megatons disparada pelos EUA em 1954 em sua maior explosão de bomba de hidrogênio.

De vários ângulos e distâncias, o vídeo mostra o desenvolvimento da gigantesca nuvem em forma de cogumelo da arma, sugerindo o poder da bomba e sua força apocalíptica.

A Rússia já havia divulgado fotos e videoclipes do dispositivo, conhecido oficialmente como RDS-220. O Barents Observer, uma publicação na Noruega, relatou anteriormente sobre o lançamento completo do vídeo, que possui legendas em inglês, e uma trilha sonora triunfal. “Ultra secreto”, diz a legenda de abertura.

Em uma entrevista, Alex Wellerstein, historiador nuclear do Stevens Institute of Technology em Hoboken, New Jersey, chamou o lançamento do vídeo de “uma boa adição” ao crescente corpo de informações públicas. 

Ele disse que a descrição da bomba no documentário em vídeo era muito mais completa do que o público já tinha conhecimento, mas, mesmo assim, evitou cuidadosamente os detalhes técnicos secretos. 

Norris, autor de Racing for the Bomb (Corrida pela bomba, na tradução livre), citou documentos americanos anteriormente secretos que revelaram a reação amplamente desdenhosa dos oficiais militares americanos à explosão colossal.

Roswell L. Gilpatric, o subsecretário de Defesa em 1961, disse em um discurso poucos dias antes do gigantesco teste soviético que especialistas nucleares americanos haviam julgado o valor militar de tal explosão "tão questionável que não valia à pena desenvolvê-lo".

Um documento ultrassecreto escrito em julho de 1963, quase dois anos após a explosão, observou que “os Estados Unidos atualmente têm a capacidade de projetar” uma arma de tal força destrutiva. Essa arma nunca apareceu.

Ao longo de décadas, o grande desafio para os fabricantes do arsenal nuclear do país (assim como o da Rússia) acabou por ser desenvolver não grandes bombas de hidrogênio, mas pequenas, que foram consideradas mais úteis para ataques direcionados. 

A miniaturização permitiu que as bombas de hidrogênio fossem pequenas o suficiente para que muitas ogivas pudessem caber no topo de um único míssil (colocando muitas cidades simultaneamente em risco) ou que pudessem ser enviadas para a guerra a bordo de caminhões, submarinos e outras plataformas não aéreas.

Os segredos da miniaturização se mostraram tão difíceis de dominar que acabaram se tornando objeto de escândalos de espionagem.

Ainda assim, como disse Norris, a história há muito tempo tem dado crédito aos russos por criar e demonstrar o temível poder da 'Bomba do Czar" e fornecer uma lição aterradora sobre por que as armas de hidrogênio, como categoria, são conhecidas como impensáveis./NYT

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