Agência tira de circulação fotos manipuladas da guerra no Líbano

Em meio a uma crescente onda de críticas contra o que blogueiros pró-Israel classificam como uma "guerra de propaganda" contra o Estado judeu, a agência de notícias Reuters anunciou nesta segunda-feira que tirou de circulação 920 fotos de um fotógrafo freelancer que cobre o atual conflito do Líbano. O motivo, segundo um comunicado emitido pela própria Reuters, foi a constatação de que duas das fotos registradas pelo libanês Adnan Hajj foram manipuladas em um programa de edição de imagens digitais.Ainda de acordo com a agência de notícias, a decisão foi tomada "depois que uma revisão urgente do trabalho de Hajj mostrou que ele alterou duas imagens do conflito entre Israel e o Hezbollah". Citado na nota, o editor de fotografia da Reuters, Tom Szlukovenyi, classificou a medida como uma "precaução", já que "o fato de que duas imagens de Adnan Hajj foram manipuladas mina a confiança em todo o seu trabalho"."Não há violação mais grave para os padrões da Reuters do que a manipulação de uma imagem", disse Szlukovenyi em uma declaração.A agência encerrou seu relacionamento com Hajj no domingo, depois que analistas identificaram o uso do software "Photoshop" em uma fotografia tirada por ele. A imagem, que mostra uma região do sul de Beirute atingida por um míssil israelense, teria sido manipulada para que a coluna de fumaça que subia do alvo parecesse mais densa e escura. Após a descoberta, outras imagens do freelancer foram analisadas, e uma segunda foto alterada foi encontrada. No registro, um avião israelense F-16 aparece soltando três foguetes utilizados para desviar a rota de mísseis guiados por infravermelho, quando na verdade a aeronave havia soltado apenas um projétil.A decisão da agência veio à tona em meio a uma polêmica levantada por blogueiros americanos, israelenses e britânicos que acusam os fotógrafos que trabalham na cobertura do conflito de manipular as fotos para dar mais dramaticidade às cenas. Os debates começaram no início da semana passada, depois que os editores do blog conservador britânico EU Referendum (leia matéria ao lado) sugeriram que parte das fotos tiradas após um bombardeio à cidade libanesa de Qana, em que várias crianças morreram, teriam sido posadas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.