Agências da ONU prevêem catástrofe humanitária

Uma guerra de Washington contra Bagdá causará uma catástrofe humanitária de "dimensões bíblicas", disse Veronique Taveau, porta-voz da coordenação do Programa Humanitário da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Iraque. Segundo ela, apesar de os organismos da ONU continuarem trabalhando no país, não poderão evitar que cerca de 11 milhões de pessoas fiquem sujeitas à fome e corram o risco de morrer."Todos os iraquianos, sejam ricos ou pobres, têm o direito a receber sua parcela mensal de alimento", explicou.De acordo com ela, 80% da população recorre a essas cestas. No entanto, 60% dos iraquianos - ou 11 milhões de pessoas - dependem totalmente dos alimentos comprados pelo governo por meio do programa de "petróleo por comida", segundo dados da ONU.Nos últimos meses, em virtude da possibilidade de uma guerra, o governo iraquiano duplicou a cota mensal de comida das famílias, para que armazenem alimentos no caso de um eventual conflito.A porta-voz explicou que, se deixarem de receber a comida - o que poderia acontecer em meio à deflagração de uma guerra -, essas 11 milhões de pessoas seriam gravemente afetadas pela fome.Taveau disse à Ansa que 500 dos 900 funcionários da ONU no Iraque continuam no país, além dos inspetores de armas da entidade.Taveau explicou que as agências da ONU no Iraque não emitiram nenhuma ordem de retirada e os casos de saída do país são tratados individualmente. "Quem quer ir é livre para fazê-lo. Quem decide ficar também tem seu pedido atendido."No entanto, ela disse que, se houver deterioração da crise, poderia partir uma ordem de Nova York referente ao assunto.

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