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Agente a serviço da CIA ilude Al-Qaeda ao oferecer-se como terrorista suicida

Saudita teria se voluntariado para explodir-se no interior de um avião comercial dos EUA

O Estado de S.Paulo,

08 Maio 2012 | 21h30

Texto atualizado às 07h53

NOVA YORK - O homem-bomba designado pela Al-Qaeda na Península Arábica para explodir-se num voo comercial americano usando explosivos que podem passar por detectores de metal era um agente duplo. O homem da Arábia Saudita, cuja identidade não foi revelada, cooperava com a CIA, a agência de inteligência dos EUA, segundo fontes de imprensa americana.

A ação de contrainteligência foi tornada pública nesta terça-feira, 8, por autoridades americanas e iemenitas, um dia após o atentado frustrado ter sido divulgado. De acordo com membros do governo americano que sabiam do plano, o agente infiltrou-se na afiliada da Al-Qaeda no Iêmen e passou várias semanas em treinamento nos campos da organização. Ele se ofereceu para executar o atentado, agendado para uma data próxima do primeiro aniversário da morte do fundador da rede, Osama bin Laden, dia 1.º, e foi selecionado para a operação.

O agente duplo viajou do Iêmen para os Emirados Árabes entregou o material que seria usado para explodir o avião para a CIA e outras agências de inteligência, que agora analisam o artefato. De lá, ele voou para a Arábia Saudita, onde estaria atualmente.

Durante todo o período de planejamento do atentado, a CIA monitorou o paradeiro da bomba e do agente duplo. Depois do dispositivo ter sido entregue às autoridades americanas, um ataque com avião não tripulado (drone), no domingo, atingiu um campo de treinamento da Al-Qaeda no Iêmen. O bombardeio matou Fahd Mohamed Ahmed al-Quso, um dos responsáveis pelo ataque ao USS Cole, no Mar Arábico, em 2000, e um dos principais terroristas da Al-Qaeda ainda à solta.

O explosivo, desenhado para ser ocultado nas roupas íntimas do homem-bomba, era uma evolução do dispositivo usado pelo nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab, que tentou derrubar um voo que ia de Amsterdã para Detroit no Natal de 2009. Ao contrário da primeira versão, ele tinha dois detonadores, para o caso de um deles falhar. A bomba, segundo membros do governo americano – que falaram sob condição de anonimato – tinha "totais condições" de derrubar um avião.

Infiltrado. A operação de contrainteligência começou oito meses atrás, quando o governo americano interceptou planos da Al-Qaeda na Península Arábica para executar um novo atentado em solo americano. A informação foi divulgada para a imprensa após o agente duplo ter chegado a um local seguro.

O responsável pela fabricação da bomba é o terrorista Ibrahim Hassan al-Asiri, um saudita de 28 anos. Além da ação em Detroit e da atual, Al-Asiri teria sido o fabricante dos explosivos colocados em cartuchos de impressoras. A colaboração do serviço secreto saudita foi fundamental para a operação. Estima-se que oito sauditas, das dezenas que militam no grupo, sejam agentes infiltrados por Riad, que considera a Al-Qaeda na Península Arábica uma grave ameaça a sua segurança.

"Eles tinham gente lá dentro já havia algum tempo", disse uma fonte do governo americano, que pediu para não ser identificada, ao jornal Washington Post. "Acompanhamos a trajetória do explosivo por um bom tempo." De acordo com uma fonte do jornal no Oriente Médio, os sauditas têm uma rede de informantes muito eficaz no Iêmen. As difíceis relações tribais no país são usadas pelo serviço secreto de Riad para obter detalhes preciosos sobre os planos do grupo. / NYT E WASHINGTON POST

 

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