Agente do Mossad revelaria segredos, diz jornal

Australiano-israelense encontrado morto em prisão estaria prestes a passar informação sobre espiões de Israel

JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2013 | 02h07

As primeiras informações sobre o australiano-israelense que seria agente do Mossad e foi encontrado morto em uma prisão de Israel foram reveladas ontem. No entanto, o caso - exposto esta semana pela TV da Austrália - ainda está mais cercado de perguntas do que de respostas.

A Justiça de Tel-Aviv revogou parte da censura sobre a história e o advogado de defesa de Ben Zygier disse ter conversado com o cliente um dia antes de sua morte, em 2010. A imprensa australiana afirma que Zygier estava prestes a revelar segredos sobre o modus operandi do Mossad, quando foi detido.

Segundo o Brisbane Times, fontes de segurança da Austrália disseram que o suposto agente do Mossad repassaria ao serviço secreto de Camberra ou à imprensa informação a respeito das ações da espionagem israelense, incluindo o uso de passaportes australianos. Documentos da Austrália foram apresentados, por exemplo, por agentes de Israel que assassinaram em 2011, em Dubai, Mahmoud al-Mabhouh, um dos chefes do Hamas - o episódio levou a Austrália a encerrar a cooperação no setor de inteligência com Israel.

Zygier estava em contato com espiões australianos antes de ser preso, afirma o jornal australiano. O governo israelense notificou a embaixada da Austrália de que o homem de 34 anos nascido em Melbourne havia sido detido, sem revelar as acusações contra ele. Nenhum diplomata australiano o visitou na prisão ultrassecreta de Ayalon, onde ele ficava em uma ala que fora especialmente construída para abrigar Yigal Amir, o assassino do ex-premiê Yitzhak Rabin.

Em 2010, os jornalistas Jason Koutsoukis e Jonathan Pearlman publicaram uma reportagem no The Age, da Austrália, sobre três cidadãos com dupla nacionalidade israelense e australiana que estariam operando uma rede do Mossad na Europa. A matéria dizia que os três haviam montado uma empresa de tecnologia que atuava em vários países do Oriente Médio, incluindo o Irã.

Koutsoukis, correspondente em Jerusalém, telefonou a Zygier e o confrontou com a informação de que trabalhava para o Mossad e viajara para países como Síria e Irã. "Que m... você está falando?", teria sido a reação do entrevistado - que, no entanto, quis ouvir mais sobre as suspeitas do repórter antes de desligar o telefone. Ontem, o jornalista divulgou a transcrição completa da entrevista.

O jornal israelense Haaretz noticiou que dois australianos amigos de infância de Zygier sabiam que ele era do Mossad. Eles teriam sido informados, separadamente, pelo próprio "agente". Um dos entrevistados afirmou que Zygier era uma pessoa fechada, que não costumava se gabar nem tentar atrair atenção.

Um dia antes de ser encontrado morto, o acusado falou com seu advogado. "Conversei com uma pessoa equilibrada, que analisava racionalmente suas opções legais", disse Avigdor Feldman. Zygier era acusado de "graves delitos", afirmou o advogado, e seus interrogadores diziam que ele passaria "um longo tempo na prisão e isolado de sua família". "Suspeito que isso tenha provocado esse trágico resultado", completou. / REUTERS

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