Agente suspeito foi afastado por quebra de confiança, diz Abin

Diretor de espionagem contraria em declaração no Senado versão de ministro; brasileiro teria repassado dados à CIA

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2013 | 02h02

O diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Wilson Trezza, admitiu ontem no Senado a exoneração por "quebra de confiança" de um funcionário do órgão que teve encontros com um agente secreto dos EUA. O general José Elito, ministro do Gabinete de Segurança Institucional e chefe imediato de Trezza, sustentava que esse funcionário foi exonerado por ter cumprido tempo de aposentadoria. Também presente na audiência pública, Elito limitou-se a "passar a palavra" para seu subordinado.

O caso envolvendo os espiões da ABIN e da CIA, o serviço secreto americano, foi revelado dia 27 pelo Estado. Os encontros entre os agentes ocorreram até agosto de 2012, no Paraná. A Abin demitiu o seu funcionário, identificado como "oficial de inteligência 008997", sem instaurar sindicância ou processo administrativo.

Depois, a agência tentou abafar o caso. Após a divulgação do episódio, Elito esforçou-se para associar a exoneração do funcionário do cargo como superintende da Abin em Manaus como um caso de rotina.

A Abin percebeu que seu funcionário, um agente que atuava na região de Foz do Iguaçu, encontrava-se com o agente da CIA, numa operação de contraespionagem. Trezza e Elito estiveram ontem numa Comissão Mista de Inteligência nas dependências do Senado. Aos parlamentares, Trezza evitou dar detalhes sobre as conversas entre os dois espiões. "Nós não estaríamos aqui se não fosse minha determinação de abertura de operação de contrainteligência", afirmou. "Inicialmente, esse tipo de situação é do conhecimento apenas do diretor-geral e de duas ou três outras pessoas.", completou.

Trezza deixou claro que a exoneração ocorreu porque o agente cometeu desrespeito à hierarquia. "No entanto, os dados que recebi não me convenceram de que havia elementos de ilegalidade que justificassem a abertura de um processo disciplinar". Depois, o diretor-geral da Abin confirmou que adotou a sanção mais dura contra um funcionário público, a demissão. "Quem demite 14 pessoas, como eu demiti, não teria razão para não demitir a 15.ª", disse. A conta de Trezza incluiu demitidos por irregularidades de sua gestão, que começou em 2008.

Trezza ainda confirmou que a Abin realizou uma operação para verificar uma possível sabotagem na explosão da base de lançamento de satélites em Alcântara, no Maranhão, em 2003, e o monitoramente de diplomatas estrangeiros no Brasil na mesma época. A Folha de S.Paulo revelou que a agência investigou funcionários franceses. Ainda segundo Trezza, a operação foi inconclusiva.

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