Jorge Silva/Reuters
Jorge Silva/Reuters

Agentes chavistas são presos por mortes

Cinco agentes de inteligência respondem por assassinatos; 14 já foram detidos

O Estado de S. Paulo,

26 de fevereiro de 2014 | 23h23

CARACAS - Cinco agentes do serviço de inteligência venezuelano foram presos na quarta-feira, 26, acusados de envolvimento na morte de manifestantes após os protestos antigoverno do dia 12, em Caracas, informou a Promotoria da Venezuela. Com as recentes detenções, o número de prisões por envolvimento no caso foi a 14, de acordo com órgão.

"O Ministério Público conseguiu prender cinco funcionários do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin) por suposto vínculo com a morte de Bassil da Costa e Juan Montoya", afirmou o organismo em um comunicado oficial.

As mortes ocorreram no centro da capital venezuelana, durante confrontos ocorridos depois de uma manifestação convocada pela oposição ao governo do presidente chavista Nicolás Maduro.

Na segunda-feira, o Ministério Público anunciou a detenção de nove agentes das forças de segurança venezuelanas por sua atuação nas manifestações - entre eles, três funcionários do Sebin acusados de disparar suas armas de fogo durante os confrontos.

Costa era um estudante que tinha ido protestar contra o governo e Montoya pertencia a uma organização partidária do chavismo. De acordo com o Ministério Público, os cinco agentes do Sebin cuja detenção foi anunciada nesta quarta-feira, cumprem prisão preventiva desde a segunda-feira, indiciados por "homicídio doloso (com intenção de matar) qualificado, uso indevido de arma orgânica, associação para o crime e prejudicar a aplicação da Justiça, em favor de um grupo de crime organizado".

Manifestações

No dia 12, estudantes e líderes políticos da oposição marcharam em direção à sede da Promotoria para exigir a libertação de jovens presos em protestos iniciados no dia 4 no Estado de Táchira, oeste da Venezuela, após uma universitária ter sido estuprada e roubada na região.

A partir de então, as manifestações se expandiram para Caracas e outras cidades do país, que, ao anoitecer, viravam palco de distúrbios e de confrontos entre grupos armados ilegais, jovens e policiais de tropas de choque.

Os protestos antigoverno - cuja intensidade tem diminuído nos últimos dias - deixaram pelo menos 14 mortos e mais de 100 feridos. Os manifestantes protestam contra os altos índices de criminalidade registrados na Venezuela, a crise econômica que o país enfrenta, a escassez de alimentos e outros gêneros básicos de consumo e a repressão contra estudantes.

Maduro afirmou que "são mais de 50" os mortos em razão das "barricadas". No dia anterior, o presidente tinha dito que a fumaça das barreiras em chamas matou 30 pessoas de infarte ou asma. O presidente buscou uma aproximação com vários setores da sociedade venezuelana para acalmar a onda de protestos.

Mulheres opositoras protestaram em Caracas e outras cidades venezuelanas contra a repressão às manifestações antigoverno. Em Valência, jovens encapuzados levantaram barricadas em vários bairros, enquanto policiais tentavam conter o protesto com balas de borracha. / AFP e EFE

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