Agentes da CIA não serão julgados por interrogatórios

A administração do presidente Barack Obama informou funcionários da CIA (Agência Central de Inteligência) que usaram técnicas polêmicas de interrogatório, como afogamento e outros métodos, que eles não serão processados. A informação foi divulgada hoje por altos funcionários da Casa Branca. Mesmo antes de Obama assumir, em janeiro, auxiliares dele sinalizaram que dificilmente os funcionários da CIA responderiam por seu papel no programa de interrogatório de suspeitos de terrorismo. Durante a administração de George W. Bush, essas técnicas foram consideradas legais pelo Departamento de Justiça.

AE-AP, Agencia Estado

16 de abril de 2009 | 17h03

O comunicado, que deve ser divulgado ainda hoje pelo procurador-geral Eric Holder, é a primeira garantia definitiva de que os funcionários da CIA não devem sofrer sanções, pois suas ações estavam alinhadas com as informações legais recebidas à época. Os funcionários falaram sobre o comunicado de Holder antes de sua liberação sob condição de anonimato.

A CIA admitiu ter usado a técnica de simulação de afogamento (waterboarding) com três supostos terroristas presos, entre 2002 e 2003, com a permissão da Casa Branca e do Departamento de Justiça. O ex-diretor da CIA Michael Hayden disse que o afogamento simulado não tem sido usado desde então, porém alguns grupos de direitos humanos pedem que Obama processe os funcionários da CIA, pelo que consideram tortura.

Era Bush

O comunicado de Holder deve ser divulgado pelo Departamento de Justiça, junto com importantes documentos da era Bush, incluindo textos legais e interrogatórios de detentos suspeitos de terrorismo, segundo os funcionários.

Entre os métodos então permitidos estavam deixar os detentos nus por longos períodos, mantê-los em posições estáticas por longos períodos ou impedi-los de ingerir alimentos sólidos. Outras duras táticas incluem evitar que os presos durmam e ameaças à família dos detentos. As técnicas foram aplicadas contra 14 suspeitos considerados particularmente importantes.

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