Agentes da ONU são mortos em Gaza e agência reduz atuação

Funcionários são atingidos no fogo cruzado do conflito entre Hamas e Fatah

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 02h47

Dois funcionários palestinos da Organização das Nações Unidas (ONU) foram mortos na Faixa de Gaza, e a agência de ajuda aos palestinos da entidade informou nesta quarta-feira, 13, que vai suspender a maior parte de suas operações na região devido à atual luta interna. Um porta-voz da UNRWA, agência da ONU de ajuda humanitária aos refugiados palestinos, disse que um dos funcionários foi baleado no abdômen na terça-feira e morreu no dia seguinte. O outro foi baleado na cabeça nesta quarta-feira. Segundo o porta-voz Christopher Gunness, eles são os primeiros representantes da ONU mortos em Gaza desde que começaram os conflitos entre o Hamas e a facção Fatah, ligada ao presidente Mahmoud Abbas. Gunness disse que, ao que parece, eles foram pegos no fogo cruzado e não foram alvo devido a seu trabalho para a agência da ONU. "Diante das crescentes ameaças à nossa equipe, a UNRWA não tem outra escolha a não ser diminuir suas operações em Gaza a partir de agora", afirmou Gunness. Conflito No dia 24 de maio, militantes do Hamas e do Fatah rejeitaram o pedido de cessar-fogo do presidente palestino Mahmoud Abbas para acabar com a violência entre as duas facções na Faixa de Gaza. Desde então, militantes dos dois lados chegaram a declarar trégua sete vezes, mas o anúncio era sempre desrespeitado logo que um dos lados reiniciava os ataques. Confrontos entre as duas facções causaram a morte de pelo menos 55 pessoas desde o último sábado. Homens armados do grupo Hamas seguiram nesta quarta com a ofensiva em Gaza, matando ao menos seis combatentes leais ao presidente Mahmoud Abbas, em uma luta pelo poder que aproxima a região de uma guerra civil. Aos gritos de "parem com as mortes", cerca de 1.000 palestinos marcharam pela Cidade de Gaza e foram recebidos por tiros para o alto de militantes do Hamas em uma delegacia policial tomada das forças rivais da Fatah, no dia anterior. A violência levou a Fatah, que parece estar perdendo terreno para o Hamas em Gaza, a dizer que suspenderia sua participação em um governo de unidade com o Hamas se uma trégua não for declarada imediatamente. O governo foi formado em março sob mediação de sauditas, a fim de acabar com as lutas internas e amenizar sanções do Ocidente. Israel, que retirou colonos e tropas da Faixa de Gaza em 2005, declarou que não vai intervir no conflito palestino. ´Loucura´ O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, voltou a pedir nesta quarta que as facções palestinas abandonem a violência na região da Faixa de Gaza, e considerou a luta internas como "loucura". O apelo de Abbas foi realizado durante entrevista coletiva, após uma reunião, em Ramala, com o ministro de Assuntos Exteriores holandês, Maxime Verhagen. Ele disse ainda que espera que os grupos aceitem a oferta egípcia de mediar as negociações do cessar-fogo nesta quarta-feira. Na última semana, Abbas alertou que os palestinos estão "prestes a entrar em uma guerra civil". Abbas afirmou que os confrontos entre facções palestinas são tão sérios que poderão ser tão perigosos para os palestinos quanto é a ocupação israelense. No discurso, o presidente da ANP lembrou a "grande derrota" dos árabes em 1967, na Guerra dos Seis Dias (entre Israel e países árabes). "Apesar de todas as dificuldades nossa revolta foi igual a esta derrota, esperamos que a memória dela seja apagada com o fim da ocupação de territórios árabes e palestinos e pelo estabelecimento de nosso estado independente", disse.

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