Agentes dos EUA recebem alta de hospital após se recuperarem do Ebola

O médico Kent Brantly e Nancy Writebol foram infectados quando trabalhavam para organizações cristãs na Libéria

O ESTADO DE S. PAULO

21 de agosto de 2014 | 16h29

Atualizado às 23:52

Os dois americanos infectados com o vírus Ebola já receberam alta de um hospital em Atlanta, nos Estados Unidos, após permanecerem por três semanas no local. O médico Kent Brantly, de 33 anos, e a missionária Nancy Writebol, de 59, haviam sido infectados enquanto trabalhavam em uma clínica na Libéria.

Brantly e Nancy receberam a droga Zmapp ainda na África e retornaram aos Estados Unidos para dar continuidade ao tratamento. Brantly foi liberado nesta quinta, enquanto Nancy havia saído do hospital dois dias antes. Três médicos da Libéria também tratados com o medicamento têm mostrado sinais de melhora.

Brantly entrou na sala de conferências do Hospital Universitário Emory de mãos dadas com a sua mulher, Amber, e foi acompanhado pela equipe médica. "Estou impressionado por estar vivo, por me sentir bem e estar novamente com a minha família", disse, gaguejando diversas vezes, enquanto lia uma declaração escrita. 

Tanto Brantly quanto Nancy foram para o Estado da Geórgia em um avião especialmente equipado e, após o pouso, foram levados para o hospital por ambulâncias escoltadas pela polícia. O médico disse que se preparou para o pior após saber da epidemia, em março. A clínica em que trabalhava na Libéria recebeu o primeiro paciente em junho. "Minha vida sofreu uma reviravolta quando fui diagnosticado com Ebola", disse o profissional de saúde. 

Ainda não se sabe se a droga experimental ajudou os pacientes ou se eles se recuperaram por conta própria. O tratamento não havia sido testado em humanos. Ainda nesta quinta, a Organização Mundial da Saúde (OMS) convocou uma reunião com especialistas sanitários do mundo todo para debater potenciais terapias e vacinas para o Ebola. O evento ocorrerá na sede da OMS em Genebra, nos dias 4 e 5, e deve reunir uma centena de experts no vírus.

A doença já matou mais de 1,3 mil pessoas na África Ocidental. Ao contrário do que vem defendendo a OMS, as restrições ao trânsito na África estão aumentando.

Nesta quinta, foi a vez da África do Sul proibir a entrada no país de pessoas vindas de área sob surto, enquanto o Senegal fechou fronteiras com a Guiné. Ainda nesta quinta, o governo da República Democrática do Congo descartou que a doença hemorrágica que atingiu 70 pessoas naquele país fosse Ebola. 

Libéria. O governo da Libéria enviou comida para a favela isolada em razão de suspeita de infecção. Oficiais entregaram sacolas com arroz e água potável nas casas dos moradores na capital, Monróvia, onde 75 mil pessoas estão isoladas em um esforço para impedir a propagação. O fato levou a confrontos com o Exército na quarta-feira, com quatro feridos. 

Equipes humanitárias internacionais alertaram que mais ajuda é necessária, pois a luta do país vai além da doença, incluindo fome e miséria. No bairro de West Point, centenas de moradores foram receber a ajuda governamental, um dia depois de as autoridades bloquearem os acessos com barricadas. 

Após o bloqueio, preços subiram vertiginosamente dentro da comunidade, com o valor da água quadruplicando em questão de dias. "Neste momento, West Point está como em uma situação de anarquia. Não estamos lutando contra o Ebola aqui, lutamos contra a fome também", disse Moses Browne, de um grupo de ajuda na região.

Além disso, o surto deixará sequelas na economia dos países afetados, onde os mercados estão se esvaziando, os campos são abandonados e a mineração começa a sofrer. O presidente do Banco Africano de Desenvolvimento, Donald Kaberuka, anunciou um fundo de US$ 60 milhões para países afetados. "Não é apenas uma crise de saúde, mas uma crise econômica." / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS 

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