Agentes especiais acusam policiais por mortes no teatro

Agentes do Comando Alfa dos serviços de segurança russos, que invadiram o teatro ocupado por 50 terroristas chechenos, acusaram policiais membros das equipes de socorro de se comportarem de maneira catastrófica e, às vezes, criminosa durante as operações de resgate, informou hoje o jornal Gazeta de Moscou."A operação foi perfeita, e todos os reféns poderiam ter saído ilesos", disseram ao diário alguns dos membros do grupo especial, que pediram anonimato, ao responsabilizarem os policiais e o pessoal de socorro pelo número de mortos.Algumas horas antes da incursão, foram levados cilindros com o gás narcótico que seria espalhado dentro do teatro pouco antes do momento-chave da operação. Os membros do Comando Alfa estavam infiltrados em todo o edifício, exceto na sala onde estavam concentrados os reféns, entre os quais estavam sentadas as mulheres com cinturões explosivos.Antes da incursão, os terroristas dispararam quando um menino teve uma crise de choro e, desesperado, gritou enquanto corria em direção à mãe dele: "Não suporto mais".Pouco depois, um homem, que chegou à sala vindo de outro ponto, gritou que entre os reféns estava seu filho. Nenhum parente do homem foi encontrado, e os rebeldes o levaram para fora da sala e o mataram, segundo as fontes.Quando o assalto foi decidido, as forças especiais que se encontravam dentro do teatro lançaram o gás narcótico pelos tubos de ventilação.Os homens do Alfa disseram que a hora do ataque não havia sido comunicada nem aos negociadores nem à polícia, na qual os autores da operação não confiavam. Esta reserva absoluta teria contribuído para desorganizar ainda mais o trabalho de auxílio."Cada um de nós tinha no braço uma faixa branca que nos distinguia dos terroristas, que vestiam, como nós, roupas camufladas. Quando nossos companheiros entraram na sala, eliminaram as mulheres terroristas e os primeiros guerrilheiros que encontraram", disseram as fontes ouvidas pela Gazeta, segundo as quais o comportamento de alguns policiais que entraram após os comandos foi desprezível."Um dos policiais abriu a bolsa de uma mulher, pegou a carteira e a colocou na bolso. A mulher estava voltando a si e o policial lhe deu um chute, de modo que o golpeamos", contaram os agentes. "Todo o pessoal de socorro procurava coisas nos bolsos dos reféns desmaiados", acrescentaram. "Fomos nós que levamos para fora muitos reféns, uma tarefa que não sabemos cumprir. Além disso, não fomos treinados para reanimá-los. Desta forma se explicam as 119 mortes", disseram as fontes.

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