Agonizante, Aliança UCR-Frepaso completa 4 anos

Quatro anos atrás, a política argentina era chacoalhada por um fato inédito na História dopaís. Surgia a coalizão Aliança, formada pela centenária e tradicional União Cívica Radical (UCR) e a centro-esquerdista Frepaso. No entanto, quatro anos depois, a Aliança é um ser doente em estado terminal, mantida apenas de forma artificial à espera do golpe de misericórdia que poderia ocorrer nas próximas semanas.Mas, quando surgiu, a Aliança era viçosa e mostrava-se como o eixo de um movimento reformista, que pretendia liquidar a intensa corrupção que caracterizou os dez anos de governo do ex-presidente Carlos Menem (1989-99), além de anunciar que o desemprego seria reduzido rapidamente.Naquela madrugada de um domingo de agosto, pela primeira vez na História deste país formava-se uma coalizão de partidos que pretendiam agir integramente com a intenção de permanecer notempo, e não somente por uma circunstância de crise política. Nesse intervalo, a Aliança foi um furacão político: em 1997, a coalizão infligiu a primeira derrota que o peronismo sofreuestando no poder, durante as eleições parlamentares de outubro desse ano. Em 1999, repetiram a façanha, vencendo os peronistas na eleição presidencial.No entanto, depois da posse começaram as divergências entre o conservador presidente Fernando de la Rúa (UCR) e seu vice, oprogressista Carlos Chacho Álvarez (Frepaso). As divergências não ocorriam somente nas altas esferas, mas também nos escalões inferiores.Em outubro do ano passado, Álvarez renunciou, colocando o governo em uma crise política da qual não se recuperou até o momento.Além da saída de Álvarez, 16 dos 118 deputados que a Aliança possuía se declararam dissidentes. Os "rebeldes", quase todos, são nomes de peso da política argentina, fato que abalou maisainda a frágil constituição da Aliança UCR-Frepaso.Desta forma, concretizou-se a previsão que muitos analistas fizeram quando a Aliança surgiu: "é uma aliança somente para ganhar as eleições". Quatro anos depois, com a Aliança praticamente desfeita, a UCR governa praticamente sozinha, e a Frepaso somente permanece de maneira formal na coalizão.Os analistas afirmam que a Frepaso apenas espera "ser demitida" da coalizão, para partir, e assim, não ser vista como a responsável do fracasso definitivo da Aliança. Eles também indicam que o presidente Fernando de la Rúa implementará umaaliança de centro direita, que incluiria mais integrantes do Ação pela República, partido do ministro da Economia, Domingo Cavallo, e também do peronismo.A Aliança frustrou as expectativas da população. Os casos de corrupção continuam sem solução, o desemprego aumentou, foram realizados sete ajustes fiscais em menos de um ano e meio de governo, e o país está a beira do colapso. Segundo uma pesquisa da consultora D´Alessio Irol, 77,5% dos argentinos consideram que a Aliança se dissolverá em breve.

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