Agora Iugoslávia receberá ajuda externa

A União Européia espera que a transferência de Slobodan Milosevic para o tribunal de crimes de guerra da ONU faça com que aumentem as promessas de ajuda financeira para a Iugoslávia, numa conferência internacional de doadores a ser realizada nesta sexta-feira em Bruxelas."A Comissão Européia está extremamente satisfeita com o que está ocorrendo", reagiu o porta-voz da UE Gunnar Wiegand, enquanto o ex-líder iugoslavo viajava de Belgrado para Haia. "Isto irá certamente influenciar a atitude dos doadores na conferência".Nesta sexta-feira, autoridades dos Estados Unidos, Banco Mundial, União Européia e outros países irão reunir-se para tratar da ajuda financeira visando a reconstrução da Iugoslávia.A Iugoslávia espera conseguir cerca de US$ 1,25 bilhão neste ano para projetos de reconstrução da nação, depois de 13 anos de administração econômica de Milosevic, sanções internacionais e uma campanha de bombardeios de 78 dias da Otan em 1999.A ajuda irá permitir a concretização de programas de reforma do governo do presidente, Vojislav Kostunica, que substituiu Milosevic em outubro.Os investimentos serão feitos prioritariamente na infra-estrutura básica da Iugoslávia - suprimento de água, rodovias, telecomunicações, geração de energia elétrica -, assim como em saúde e educação, disseram autoridades.A economia iugoslava vive um caos.O país convive com uma inflação de 150% ao ano, tem uma dívida externa de US$ 12 bilhões e um índice de desemprego de 50%. Existem temores de que possam explodir distúrbios sociais devido à rápida deterioração do padrão de vida, caso não seja investido dinheiro novo no país.O governo Kostunica busca duas coisas."Uma são os fundos desesperadamente necessários, e a outra é o apoio internacional para nossas reformas e sinais de que os países estão prontos para investir em nossa economia", afirmou o vice-premiê iugoslavo, Miroljub Labus, esta semana à Associated Press.A UE, o Banco Mundial e os Estados Unidos haviam adiantado antes da conferência de doadores que qualquer promessa de ajuda estaria vinculada à exigência de que a Iugoslávia permanecesse fiel a reformas políticas e econômicas e cooperasse plenamente com o tribunal de crimes de guerra.

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