Agora, Venezuela e FBI brigam pela captura de Montesinos

O ministro da Defesa da Venezuela, José Vicente Rangel, negou nesta terça-feira que o FBI - a polícia federal dos Estados Unidos - tenha colaborado na captura na Venezuela do ex-chefe dos serviços de inteligência do Peru Vladimiro Montesinos."Tudo foi exclusivamente um trabalho dos órgãos de inteligência e segurança venezuelanos", declarou Rangel a um grupo de jornalistas ao ser perguntado sobre informações divulgadas por jornais norte-americanos de que a participação do FBI foi determinante no caso."Imediatamente houve cruzamento de informações como ocorre em toda investigação", sustentou o ministro ao ser consultado sobre a intervenção do FBI no caso. Ele acrescentou que "a tarefa fundamental foi adiantada por nossos organismos".?Interesse em minimizar?"Existe algum interesse, não do governo peruano, porque essas informações provêm fundamentalmente da imprensa norte-americana, em minimizar o papel cumprido pelos organismos de inteligência e segurança venezuelanos", afirmou Rangel.O Congresso da Venezuela deu início nesta terça-feira a um debate e decidiu-se pela criação de uma comissão para investigar as informações sobre a participação do FBI na captura de Montesinos e seus supostos vínculos no país.Uma fonte do governo dos EUA revelou na segunda-feira que o FBI descobriu a localização de Montesinos durante uma investigação de lavagem de dinheiro promovida em Miami e a captura de um ex-funcionário da inteligência venezuelana, que teria revelado o paradeiro do peruano na Venezuela.ChantagemO ex-funcionário da inteligência venezuelana foi preso ao tentar chantagear funcionários do Banco Pacífico Industrial, onde Montesinos tinha depositados US$ 38 milhões.Rangel garantiu que seu governo desconhece a detenção em Miami de algum ex-funcionário da inteligência venezuelana.Montesinos, de 55 anos, foi detido na noite de sábado pela Direção de Inteligência Militar (DIM) na zona oeste de Caracas e deportado no dia seguinte para o Peru.Montesinos teria tido apoio na VenezuelaSegundo declarações feitas nesta terça-feira à peruana Unión Radio, o presidente da Corte Suprema do Peru, Sergio Salas, disse que Montesinos esteve na Venezuela por seis meses com o apoio de "dirigentes políticos venezuelanos".O ministro da Defesa da Venezuela exortou nesta terça-feira Salas e o procurador especial peruano para o caso Montesinos, José Ugaz, a apresentarem evidências sobre o suposto apoio que teria recebido Montesinos de autoridades venezuelanas durante sua estada no país."Parece-me irresponsável", disse Rangel, referindo-se à insinuação de Ugaz de que autoridades venezuelanas teriam dado cobertura a Montesinos. "Que provem", acrescentou.Rangel adiantou que o ministro venezuelano do Interior, Luis Miquilena, romperá o silêncio sobre o caso e oferecerá informações-chave sobre a captura de Montesinos.

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