EFE/CRISTIAN HERNÁNDEZ
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Agressões podem afetar referendo, diz órgão eleitoral venezuelano

Reitora do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Sandra Oblitas, diz que líderes da oposição colocaram funcionários do órgão em perigo e alerta que processo pode ser suspenso

O Estado de S. Paulo

23 Junho 2016 | 10h39

CARACAS - O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela denunciou, na quarta-feira, 22, agressões sofridas por seus funcionários durante a validação de assinaturas para ativar o referendo revogatório contra o presidente Nicolás Maduro, o que - como o órgão já advertiu - pode gerar a suspensão do processo.

"Nesses três dias foram agredidos funcionários que prestam seus serviços para cumprir essa fase do referendo", declarou a reitora do CNE, Sandra Oblitas, à televisão pública. 

Segundo Oblitas, ao alegar que o CNE faz uma "operação de atraso deliberado" na autenticação, lideranças da oposição submetem funcionários ao "escárnio público", publicando seus nomes e fotos.

"Vemos com preocupação como alguns líderes nacionais expuseram ao escárnio público com nome, sobrenome, fotografia, dos nossos diretores regionais e outros funcionários da instituição", afirmou. Para ela, são "expressões de ódio" que "põem em risco a vida dos nossos funcionários".

A fase de reconhecimento de assinaturas começou na segunda-feira, 20, e termina nesta sexta-feira, 24, em 128 pontos habilitados pelo CNE. A oposição acusa o órgão de estar a serviço do governo.

Na quarta-feira, o líder opositor Henrique Capriles divulgou em sua conta no Twitter o nome e a foto de um diretor regional do CNE com a legenda: "este personagem sabotando validação em Nueva Esparta! Respeite o Povo".

Com a assessoria do CNE, os funcionários que se dizem agredidos estão pedindo "medidas de proteção" no Ministério Público, informou Sandra Oblitas.

Ao dar sinal verde para a autenticação das assinaturas em 10 de junho, a presidente do CNE, Tibisay Lucena, advertiu que "qualquer agressão, alteração, ou geração de violência levará à suspensão imediata do processo [para o referendo] até a se restabeleça a ordem".

Para ativar a consulta, é necessário que cerca de 200 mil pessoas ratifiquem suas assinaturas - registrando as impressões digitais - do total de 1,3 milhão certificado pelo CNE. Também na quarta-feira, o porta-voz da aliança Mesa da Unidade Democrática (MUD), Carlos Ocariz, afirmou que 236.386 já foram validadas. / AFP

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