Agressor atira tênis em líder da Suprema Corte de Israel

Um israelense jogou seus tênis contra a presidente da Suprema Corte de Israel durante uma audiência sobre o uso medicinal da maconha. Ela foi atingida entre os olhos, seus óculos se quebraram e ela caiu da cadeira. Dorit Beinisch, que tem quase 70 anos, não ficou seriamente ferida e o incidente parece ter sido isolado, embora tenha havido um aumento no número de ameaças ao Judiciário.

AE-AP, Agencia Estado

27 de janeiro de 2010 | 16h48

A juíza foi atingida pelo primeiro sapato lançado e caiu no chão enquanto o outro passou por cima de sua cabeça, disse Michael Eden, que testemunhou o ocorrido. Eden disse que o agressor, um homem grisalho de poucos cabelos, jogou seus sapatos da quarta fileira da sala lotada do tribunal, a cerca de 20 metros da tribuna, enquanto gritava: "você é corrupta, uma traidora, por sua causa eu perdi tudo".

Beinisch, que está no cargo desde 2006, recebeu os primeiros socorros nas câmaras do tribunal e foi tratada com gelo antes de voltar à sala do tribunal, horas mais tarde, para concluir a audiência. Ela foi recebida com aplausos pelos advogados, jornalistas e participantes da audiência.

A porta-voz do tribunal, Ayelet Filo, identificou o agressor como Pinchas Cohen, de 52 anos. Ela disse que a razão para o ataque não está clara, mas que ele não parece ter ligação com a audiência, na qual moradores de uma cidade do norte do país pediam ao tribunal que determinasse o fechamento de um local autorizado a produzir maconha para fins medicinais.

Um alto funcionário de segurança, que falou em condição de anonimato, disse que o tribunal estava prevenido em relação a Cohen desde que ele ameaçou a juíza em 2006. O funcionário disse que os problemas de Cohen com o judiciário provém de uma disputa familiar no tribunal.

Shai Meir, porta-voz dos produtores de maconha, disse que dois juízes ajudaram Beinisch imediatamente, enquanto policiais foram na direção de Cohen e o imobilizaram. O ataque lembrou o realizado contra o ex-presidente George W. Bush no Iraque, no final de 2008.

Em Israel, há reclamações de que não se tem feito o suficiente para conter as críticas verbais feitas por políticos e ativistas de direita contra o Judiciário. As ações de Beinisch incluem decisões contra o uso de palestinos como escudos humanos e o apoio para a reabertura de seções de uma rodovia da Cisjordânia para o tráfego palestino. As duas provocaram a ira de líderes de direita, que a acusam de aceitar o terrorismo.

Ela também se opôs à tentativa dos legisladores de se sobrepor à autoridade do tribunal. Além disso, foi responsável pela condenação de vários ex-ministros acusados por corrupção. Moshe Negbi, especialista em leis israelenses, disse que o agressor pode pegar até três anos de prisão caso seja condenado.

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