Markus Scholz/ AFP
Markus Scholz/ AFP

Agressor que matou uma pessoa com faca em Hamburgo agiu sozinho

Segundo autoridades da Alemanha, ele era um ‘islamista’ em vias de radicalização e sofria transtornos psicológicos

O Estado de S.Paulo

29 Julho 2017 | 08h50
Atualizado 10 Setembro 2018 | 16h17

HAMBURGO, ALEMANHA - O homem que matou uma pessoa com uma faca e deixou vários feridos na sexta-feira 28, em Hamburgo, era um "islamista" em vias de radicalização, de acordo com as autoridades da Alemanha. Contudo, suas motivações permanecem indeterminadas, já que ele também sofria transtornos psicológicos.

Enquanto os investigadores ainda buscam as razões precisas do que o prefeito de Hamburgo chamou de "atentado odioso", o debate sobre a recepção de imigrantes foi retomado na Alemanha. O agressor teve negado o estatuto de refugiado no país.

Na sexta-feira à tarde, o homem entrou em um supermercado em uma rua comercial da zona norte de Hamburgo, roubou uma faca de cozinha e avançou na direção de um homem de 50 anos, que foi esfaqueado até a morte. Ainda no local, ele feriu mais dois clientes, antes de atacar outras pessoas na rua. A ação terminou com um morto e seis feridos, alguns em estado grave.

"Era conhecido como islamista, mas não como jihadista, pelos serviços de segurança", afirmou o ministro do Interior de Hamburgo, Andy Grote.

Apresentado pelas autoridades como um palestino nascido nos Emirados Árabes Unidos, o agressor de 26 anos era considerado "um caso suspeito após elementos que demonstravam uma radicalização religiosa", especialmente na casa em que morava no norte da cidade.

Mudança

Recentemente, o agressor passou a usar roupas religiosas muçulmanas, recitava trechos do Alcorão em casa e havia "mudado", segundo as autoridades locais.

O ministro Andy Grote mencionou, na atual fase da investigação, "vínculos com motivações religiosas, islamistas", determinantes para passar à ação. Ele indicou ainda que o agressor sofria "instabilidade psicológica". A situação continua "confusa e não é possível saber ainda qual desses elementos foi o detonador", acrescentou o ministro.

Apesar das dúvidas quanto à saúde mental do homem, a Justiça de Hamburgo decidiu neste sábado, 29, mantê-lo detido, em vez de interná-lo em um hospital psiquiátrico. Não foi identificado "nenhum elemento tangível" que permita atenuar sua responsabilidade, de acordo com a porta-voz da Promotoria local, Nana Frombach.

O detido falou sobre o ocorrido, mas se negou a discutir as motivações por trás do seu ato, ressaltou em declarações à mídia alemã. Agentes da polícia foram investigá-lo após receberem denúncias sobre sua radicalização, mas não detectaram um "perigo imediato". O homem chegou à Alemanha em 2015 como solicitante de asilo.

A polícia já determinou que ele agiu sozinho. "Não há elementos sobre a existência de uma rede", disse uma fonte.

No cenário político, as dúvidas sobre a recepção de imigrantes voltam a ressurgir no país, que recebeu mais de um milhão de solicitantes de asilo desde 2015. A direita nacionalista acusa a chanceler alemã, Angela Merkel, de ter permitido a entrada de potenciais extremistas no país.

O agressor de Hamburgo, que teve o pedido de asilo negado, não pôde ser expulso. "Trata-se, ao que parece, de um estrangeiro em processo de saída, mas que não podia ser expulso porque não tinha documentos de identidade", explicou o prefeito de Hamburgo, Olaf Scholz.

Se a polícia confirmar que o ataque foi um atentado com motivações islamistas, a opinião pública inevitavelmente vinculará o caso ao atentado com um caminhão em uma feira natalina Berlim. No episódio, ocorrido em dezembro, 12 pessoas morreram. O ataque foi cometido pelo tunisiano Anis Amri, que estava em uma situação legal idêntica. / AFP

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