Agricultores retirados de Gaza buscam terras fora de Israel

Agricultores dos assentamentos judaicos retirados do território palestino de Gaza estão buscando terras em outros países, entre eles a Espanha e a América Central, para reiniciar suas empresas, cuja produção alcançava US$ 60 milhões por ano. Trata-se de israelenses que possuíam estufas no bloco de assentamentos de Gush Katif, destruídos em agosto do ano passado,antes da retirada do Exército desse território ocupado, informou hoje o jornal Ha´aretz.O jornal de Tel Aviv menciona outros grupos que estão examinando a possibilidade de construir suas estufas para produzir hortaliças e flores na Espanha, Marrocos e República Dominicana, entre outros países da América Central.Yaron Shimon, um ex-residente do assentamento Gan Or, quase foi para a República Dominicana, mas desistiu devido à distância. Em Gush Katif produzia em suas estufas 700 toneladas de tomates pequenos do tipo "cherry". Shimon, desempregado, disse que pelos empregos oferecidos, como dobrar papelões ou em uma rede de comércios que oferece salário mínimo, "me pagariam menos do que eu pagava a meus operários".Segundo a imprensa israelense, cerca de 70% dos colonos que receberam indenizações em dinheiro pelo despejo de seus lares e cultivos estão agora desempregados.O Exército e a Polícia Nacional desalojaram, por ordem do governo então presidido pelo primeiro-ministro Ariel Sharon, 8.500 colonos de Gaza e da Cisjordânia.Outro colono retirado, Silvan Baziz, do assentamento Gadid, transferiu seus negócios para o Marrocos graças ao passaporte francês que possui. Sua família emigrou para Israel, após a criação do Estado judeu, entre outros 400.000 membros da comunidade israelita.Um dos interessados, Yoram Musaui - que se propõe a morar na Etiópia, de onde emigraram para Israel cerca de 105.000 "judeus negros" - costumava cultivar pimentões, e admitiu que a mudança para esse país africano "é um protesto político". "Antigamente, não gostaria de ir viver em outro país, mas hoje não tenho esse problema", disse o ex-colono, que junto com outros quatro colegas está em contato com a firma israelense Hovev Agriculture, estabelecida na Etiópia.A Hovev disse ao jornal israelense que esse país éparticularmente atrativo para os produtores de Gush Katif, que costumavam empregar palestinos da Faixa de Gaza e tailandeses, pois o salário dos trabalhadores do campo é de US$ 1 diário. Além disso, a terra e a água são gratuitas, acrescentou o empresário.Os agricultores de Gush Katif, muitos dos quais tiveram suas estufas adquiridas por uma empresa americana para a Autoridade Nacional Palestina (ANP), eram os principais produtores de hortaliças orgânicas de Israel.Segundo a Hovev, "em muitos lugares do mundo se pagaria milhares de dólares mensais a pessoas com sua experiência e ofício. Em Israel, a agricultura agoniza e não tem possibilidades de gerar empregos".

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