Água acumulada ameaça região chinesa afetada por terremoto

Autoridades identificam 34 'lagos' nos arredores de Sichuan; número oficial de mortos sobe para mais de 50 mil

Efe e Reuters,

22 de maio de 2008 | 12h58

As autoridades chinesas detectaram, através de fotografias aéreas, um total de 34 acúmulos de água que ameaçam a população dos arredores da zona de Sichuan - a mais afetada pelo terremoto. Os 34 lagos formados após o terremoto por acúmulo de pedras e escombros trazem "ameaças muito sérias" e, por isso, os especialistas prestam atenção à sua evolução e desenvolvimento, explicou nesta quinta em entrevista coletiva o vice-ministro de Terra e Recursos do Governo chinês, Yun Xiaosu. Veja também:Número de mortos em terremoto na China sobe para 51.151 Mapa da destruição na China Entenda como acontecem os terremotos  Especial: antes de depois da tragédiaVídeo com imagens do terremoto  Ainda nesta quinta-feira, o número de mortos no terremoto de 7,9 graus de magnitude subiu para 51.151, segundo dados oficiais. Outras 29.328 vítimas continuam desaparecidas e 288.431 estão feridas.  As chuvas que atualmente persistem na zona do terremoto continuam aumentando o nível das águas e estão sendo elaborados planos de emergência para lidar com a possibilidade de que alguns destes bolsões de água estourem, "o que causaria danos muito severos." Os planos incluem a evacuação da população, assim como a construção de canais para desviar a água acumulada, indicou o vice-ministro, que se mostrou preocupado com a situação. "Devido ao início da estação de chuvas e aos tremores em menores proporções que continuam a acontecer, não há dúvida de que aparecerão novos lagos", disse Yun. O Ministério de Terra deslocou mais de 300 geólogos para analisar as mudanças na estrutura do terreno após o terremoto e para localizar as zonas potencialmente mais sensíveis perante novos tremores. "Quanto mais rápido completarmos nossa tarefa, mais rápido poderemos começar a reconstruir a zona e a abrigar os que ficaram sem teto", concluiu. Energia A Comissão Reguladora Estatal de Eletricidade anunciou que o fornecimento de energia foi restabelecido na maior parte da província de Sichuan, embora o distrito de Beichuan - uma das áreas mais devastadas - tenha voltado a ficar às escuras por conta de novos abalos. Por sua parte, o porta-voz do Ministério de Exteriores chinês Qin Gang explicou que os utensílios de maior importância são tendas de ajuda e barracões móveis, cobertores, alimentos, medicamentos e equipamentos médicos e de comunicação, como telefones por satélite. "Precisamos urgentemente de alguns materiais, sobretudo tendas e barracões móveis. Precisamos de mais de 3,3 milhões, e até agora só pudemos enviar 400 mil; por isso, damos as boas-vindas à ajuda internacional neste âmbito e esperamos que a comunidade internacional dê prioridade a este pedido", expôs Qin. Doações Além disso, o Conselho de Estado informou nesta quinta que Arábia Saudita, Paquistão, Reino Unido, Estados Unidos e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) enviaram ao país mais de 150 mil tendas. Até o momento, o país recolheu - dentro e fora de suas fronteiras - doações superiores a US$ 300 milhões, dos quais US$ 273 milhões já foram enviados à zona devastada. Riscos ambientais Por outro lado, a organização ambientalista Greenpeace enviou uma equipe de emergência a Sichuan para detectar possíveis riscos ambientais como conseqüência do terremoto e descobriu uma pequena fábrica química que continua operando na área afetada, apesar da proibição governamental. A ONG indicou ao Executivo chinês que considera "uma atividade que coloca em um risco enorme a saúde da população e do ecossistema."

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