Água radioativa vaza de usina japonesa pela 1ª vez

Água contaminada só havia sido encontrada dentro de reatores; não há indício de contaminação

BBC Brasil, BBC

28 de março de 2011 | 08h48

         

 

Autoridades japonesas anunciaram nesta segunda-feira, 28, que água com alto teor de radiação foi encontrada pela primeira vez do lado de fora de um dos reatores da usina nuclear japonesa Fukushima Daiichi, danificada pelo terremoto e pelo tsunami do dia 11 de março.  

Veja também:

blog Twitter: Siga a correspondente Cláudia Trevisan, que está no Japão

especial Infográfico: Entenda o terremoto maiores tragédias dos últimos 50 anos

especial Especial: A crise nuclear japonesa

documento Relatos: envie textos, vídeos e fotos para portal@grupoestado.com.br

som Território Eldorado: Ouça relato do embaixador e de brasileiros no Japão

blog Arquivo Estado: Terremoto devastou Kobe em 1995

O vazamento em um túnel ligado ao reator número 2 da usina elevou os temores de uma possível contaminação ambiental provocada por líquidos radioativos que estariam escapando do local.

Até agora, piscinas de água com alto teor de radiação haviam sido encontradas somente dentro dos edifícios dos reatores.

A água contaminada foi encontrada nesta segunda-feira em um túnel subterrâneo que tem uma das entradas localizadas a apenas 55 metros do mar.

Porém a empresa operadora da usina, a Tepco, afirmou que não há indícios de que a água contaminada tivesse chegado ao mar.

A descoberta ocorreu após o chefe de Gabinete do governo japonês, Yukio Edano, ter afirmado que a prioridade no local era garantir que a água contaminada não vazasse para o solo ou para o mar.

Dados incorretos

O governo japonês também criticou fortemente a Tepco pela divulgação de dados incorretos sobre as medições de radioatividade na usina no domingo.

A empresa havia afirmado que o nível de radiação dentro do reator 2 havia chegado a 10 milhões de vezes o nível normal, antes de corrigir a informação para dizer que o nível era de 100 mil vezes o normal.

"Considerando o fato de que o monitoramento da radioatividade é uma condição importante para garantir a segurança, esse tipo de equívoco é absolutamente inaceitável", afirmou Edano.

A Tepco pediu desculpas pelo erro, mas o caso aumentou os questionamentos sobre a capacidade da empresa de lidar com a crise.

A companhia foi criticada por uma suposta falta de transparência, por não conseguir dar informações com rapidez e por cometer uma série de erros, incluindo a vestimenta usada pelos funcionários que tentam conter o vazamento na usina.

Dois funcionários foram levados na semana passada ao hospital após serem contaminados com radiação ao trabalhar sem a proteção adequada.

A usina de Fukushima foi danificada em consequência do terremoto de magnitude 9 que atingiu o nordeste do Japão no dia 11 de março e do tsunami gerado pelo tremor.

As autoridades japonesas já confirmaram oficialmente a morte de 10.804 pessoas. Mais de 16 mil ainda estão desaparecidas. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.