Ahmadinejad aceita retomar diálogo sobre programa nuclear iraniano

Três dias após UE aprovar embargo ao petróleo, presidente afirma que país não tem motivo para evitar negociação

26 de janeiro de 2012 | 22h13

TEERÃ - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou nesta quinta-feira, 26, que seu país está disposto a retomar o diálogo sobre seu programa nuclear diretamente com as grandes potências. Segundo Ahmadinejad, é o Ocidente quem usa "pretextos" para não se sentar à mesa de negociação. Mas ele garantiu que a pressão externa não fará o Irã desviar-se do objetivo de enriquecer urânio.

 

As declarações do líder iraniano foram feitas em um momento especialmente delicado. Na segunda-feira, em retaliação ao programa nuclear de Teerã, a União Europeia aprovou um embargo total ao petróleo iraniano. O bloco importa cerca de 20% do óleo do Irã, mas se estima que as sanções comprometerão 50% das vendas iranianas. Na sexta, funcionários da cúpula da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) desembarcarão em Teerã, na primeira missão ao país desde a publicação do mais duro relatório da agência sobre o Irã, em novembro.

 

O governo iraniano vinha indicando que concordaria em retomar o diálogo, mas o presidente foi a autoridade de mais alto escalão a dizer que Teerã está disposto a negociar. Falando a estudantes da cidade de Kerman, sudeste do país persa, ele questionou: "Por que fugiríamos da negociação? Por que e como o lado que usa a lógica e tem direitos fugiria da negociação? Está claro que aqueles que recorrem à coerção são os que se opõem ao diálogo e sempre trazem pretextos e põem a culpa em nós".

 

A última rodada de negociações ocorreu há um ano, na Turquia, e terminou sem acordo. O Irã rejeitou a proposta do chamado "P5+1" - os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU (EUA, França, Grã-Bretanha, China e Rússia) mais a Alemanha -, segundo a qual os iranianos enviariam seu urânio enriquecido à Turquia e abririam mão da tecnologia de enriquecimento. Em troca, receberiam urânio já processado e pronto para uso em suas centrífugas.

 

Nesta quinta, o Institute for Science and International Security, de Washington, publicou um estudo que contrasta com as previsões mais alarmistas em relação ao programa nuclear iraniano. Segundo o instituto, é "improvável" que o Irã siga o caminho rumo à bomba atômica "enquanto sua capacidade de enriquecimento de urânio continuar baixa, como está atualmente". O Irã não tomou a decisão de fazer a bomba, conclui o estudo, e isso se deve, em parte, às sanções e às ameaças de uso da força.

 

Prejuízos

 

Hoje, Ahmadinejad disse ainda que o embargo europeu afetará mais os 27 países-membros do bloco do que o Irã. "Houve uma época em que 90% do nosso comércio era com os europeus. Agora ele é menos de 10%. (...) É o Ocidente que precisa do Irã e a nação iraniana não perderá com as sanções."

 

O embargo aprovado pela europa prevê o fim gradual das importações de petróleo iraniano, que seriam encerradas de vez dentro de até seis meses. No domingo, porém, o Parlamento de Teerã deve decidir se corta imediatamente os suprimentos ao velho continente - decisão que poderá abalar a economia de países como Grécia, Espanha e Itália, fragilizados pela crise da dívida e grandes clientes do Irã. / AP

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