Ahmadinejad aceita retomar diálogo sobre programa nuclear iraniano

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou ontem que seu país está disposto a retomar o diálogo sobre seu programa nuclear diretamente com as grandes potências. Segundo Ahmadinejad, é o Ocidente quem usa "pretextos" para não se sentar à mesa de negociação. Mas ele garantiu que a pressão externa não fará o Irã desviar-se do objetivo de enriquecer urânio.

TEERÃ, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2012 | 03h06

As declarações do líder iraniano foram feitas em um momento especialmente delicado. Na segunda-feira, em retaliação ao programa nuclear de Teerã, a União Europeia aprovou um embargo total ao petróleo iraniano. O bloco importa cerca de 20% do óleo do Irã, mas se estima que as sanções comprometerão 50% das vendas iranianas. Amanhã, funcionários da cúpula da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) desembarcarão em Teerã, na primeira missão ao país desde a publicação do mais duro relatório da agência sobre o Irã, em novembro.

O governo iraniano vinha indicando que concordaria em retomar o diálogo, mas o presidente foi a autoridade de mais alto escalão a dizer que Teerã está disposto a negociar. Falando a estudantes da cidade de Kerman, sudeste do país persa, ele questionou: "Por que fugiríamos da negociação? Por que e como o lado que usa a lógica e tem direitos fugiria da negociação? Está claro que aqueles que recorrem à coerção são os que se opõem ao diálogo e sempre trazem pretextos e põem a culpa em nós".

A última rodada de negociações ocorreu há um ano, na Turquia, e terminou sem acordo. O Irã rejeitou a proposta do chamado "P5+1" - os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU (EUA, França, Grã-Bretanha, China e Rússia) mais a Alemanha -, segundo a qual os iranianos enviariam seu urânio enriquecido à Turquia e abririam mão da tecnologia de enriquecimento. Em troca, receberiam urânio já processado e pronto para uso em suas centrífugas.

Ontem, o centro Institute for Science and International Security, de Washington, publicou um estudo que contrasta com as previsões mais alarmistas em relação ao programa nuclear iraniano. Segundo o instituto, é "improvável" que o Irã siga o caminho rumo à bomba atômica "enquanto sua capacidade de enriquecimento de urânio continuar baixa, como está atualmente". O Irã não tomou a decisão de fazer a bomba, conclui o estudo, e isso se deve, em parte, às sanções e às ameaças de uso da força.

Prejuízos. Ontem, Ahmadinejad disse ainda que o embargo europeu afetará mais os 27 países-membros do bloco do que o Irã. "Houve uma época em que 90% do nosso comércio era com os europeus. Agora ele é menos de 10%. (...) É o Ocidente que precisa do Irã e a nação iraniana não perderá com as sanções."

O embargo aprovado pela europa prevê o fim gradual das importações de petróleo iraniano, que seriam encerradas de vez dentro de até seis meses. No domingo, porém, o Parlamento de Teerã deve decidir se corta imediatamente os suprimentos ao velho continente - decisão que poderá abalar a economia de países como Grécia, Espanha e Itália, fragilizados pela crise da dívida e grandes clientes do Irã. / AP

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