Ahmadinejad ameaça países que tentarem invadir o Irã

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, reiterou nesta quinta-feira que o país que tentar invadir o Irã sofrerá com o "arrependimento e a vergonha", informou a agência oficial do país Isna. Ahmadinejad fez as declarações diante de milhares de iranianos na cidade de Zanyan, 320 quilômetros a oeste de Teerã. E acrescentou estar disposto a falar sobre a paz. "Não somos favoráveis a invasões nem a injustiça, e também não toleramos que as apliquem contra nós", disse o presidente iraniano. O chefe do Governo de Teerã lembrou que seu país teve acesso à tecnologia para produzir energia nuclear graças ao esforço dos jovens iranianos, e que ninguém pode negar esse direito ao Irã. "A nação iraniana adquiriu tecnologia de produção de energia nuclear. Não precisou da ajuda de ninguém e ninguém poderá tomá-la". Ahmadinejad acrescentou que há 27 anos - desde a vitória da Revolução Islâmica - o Irã leva a bandeira da justiça, e se mostrou convencido de que seu regime pode chegar a ser um "modelo natural para as outras nações do mundo". O líder iraniano lembrou que o país entrou no clube nuclear, mas não representa um perigo para nenhuma nação. "Somos partidários da paz e da segurança, e esperamos que as potências renunciem a suas ameaças", disse Ahmadinejad, advertindo que, caso contrário, os europeus e seus aliados se arrependerão da decisão de "violar os direitos do povo iraniano". As declarações do presidente iraniano foram feitas um dia depois de o governo dos Estados Unidos pedir ao Irã que siga a via diplomática em lugar do confronto, e que enfrente a questão de seu programa nuclear como um país responsável. As autoridades iranianas devem considerar as preocupações da comunidade internacional e firmar um "compromisso com a diplomacia", disse o porta-voz do Departamento de Estado americano, Adam Ereli, em entrevista coletiva. Relatório da AIEA O polêmico programa nuclear do Irã será discutido na sexta-feira pelo Conselho de Segurança da ONU, onde o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, apresentará um importante relatório sobre o atual estágio do plano. Nesta data, encerra-se o prazo dado pelas Nações Unidas para que o Irã suspenda suas atividades de enriquecimento de urânio. As autoridades iranianas já deixaram claro que não estão dispostas a cumprir a determinação. Estados Unidos, França e Reino Unidos afirmam que se o Irã não cumprir o prazo, e encerrar o enriquecimento, eles irão fazer com que a exigência seja compulsória. China e Rússia, membros do Conselho de Segurança com poder de veto, estão relutantes em impor sanções contra o Irã, e pediram que as partes não se precipitem. "Esperamos que as partes relevantes mantenham a calma e exercitem o controle para evitar movimentos que possam piorar a situação", disse o porta-voz do Ministério do Exterior da China, Qin Gang. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse que ainda é cedo para afirmar quais decisões serão tomadas em conjunto. Ele reiterou que Moscou apóia o direito iraniano de desenvolver tecnologia nuclear para geração de energia, embora defenda a não-proliferação de armas de destruição em massa.

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