Ahmadinejad apela em favor de aliado político

Presidente se diz vítima de 'opressão' e promete recorrer a líder supremo contra desqualificação de Mashaei das eleições presidenciais do dia 14

TEERÃ, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2013 | 02h03

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse ontem que irá recorrer ao líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, contra a decisão do Conselho de Guardiães de banir seu apadrinhado político, Esfandiar Rahim Mashaei, das eleições do dia 14. Oito candidatos disputarão a presidência, a maioria da ala conservadora aliada dos aiatolás.

Ahmadinejad disse que a desqualificação de Mashaei foi um ato de "opressão" do regime. Os comentários foram postados na página do presidente na internet. É improvável, no entanto, que o Conselho de Guardiães tenha tomado a decisão sem a bênção do líder supremo, responsável por apontar os seis clérigos que integram o órgão, além do chefe do Judiciário, que nomeia outros seis juristas.

"Eu acredito que o direito de um homem oprimido não será espezinhado em um país onde a autoridade máxima do Estado é um religioso", disse Ahmadinejad. O presidente referiu-se a Mashaei como "homem piedoso, justo e competente".

Ahmadinejad contou com o apoio dos conservadores no passado, mas entrou em rota de colisão com os radicais recentemente. Ao lado de Mashaei, ele é acusado de tentar reduzir a influência do Islã - e, consequentemente, dos clérigos - no Irã.

Lista. Entre os nomes que concorrerão à presidência no dia 14 estão Saeed Jalili, chefe das negociações sobre o programa nuclear e homem próximo de Khamenei, e os não conservadores Mohamed Aref, vice-presidente do reformista Mohamed Khatami, e Hassan Rohani, que liderou as negociações sobre o programa nuclear iraniano nos governo de Khatami e de Rafsanjani. Ambos são pouco conhecidos.

Os reformistas apostavam no ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani, visto como um moderado, mas ele foi desqualificado. Seu porta-voz informou que ele não irá concorrer. No entanto, ele ganhou uma aliada ontem. "A decisão (de barrar Rafsanjani) causa um racha entre dois aliados do imã (Khomeini) e ignora a simpatia e o interesse do povo pelas eleições", disse Mostafavi Zahra, filha do aiatolá Khomeini em uma carta dirigida a Khamenei. / AP

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