Ahmadinejad cancela visita à ONU por falta de vistos

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, cancelou sua visita à sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York, porque os vistos de entrada para sua equipe foram emitidos tardiamente, disse o embaixador iraniano na ONU nesta sexta-feira, 23. "O presidente não virá" porque o visto para seu grupo foi emitido em cima da hora para que ele chegue em tempo em Nova York, falou à Reuters o embaixador Javad Zarif. Mas o ministro do exterior do Irã, que possui visto, estava tentando chegar a Nova York para se dirigir ao Conselho, que pode adotar sanções mais duras ao país islâmico por seu programa nuclear de enriquecimento de urânio. De acordo com o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores do Irã, Mohammed Ali Hosseini, a viagem foi cancelada por causa "da obstrução americana na emissão dos vistos" para a delegação iraniana. Em Berna (Suíça), a embaixada dos EUA disse que cerca de 38 vistos foram emitidos para iranianos na manhã de sexta-feira, inclusive para Ahmadinejad, e 40 outros vistos da comitiva saíram horas depois. "Os formulários estavam incompletos, mas foram preenchidos nesta manhã", disse Daniel Wendell, adido de imprensa da embaixada. "As duas levas somam cerca de 75 vistos, um grupo bastante considerável", afirmou. "Esses atos honram nossa obrigação de permitir que os iranianos viagem para a sede da ONU", afirmou o porta-voz Tom Casey. Uma fonte diplomática disse que o chanceler iraniano, Manouchehr Mohammadi, pode ser enviado para representar o país na votação. Alejandro Wolff, sub-embaixador dos EUA na ONU, disse esperar que Ahmadinejad de fato visite Nova York "e tenha tempo de visitar o Museu do Holocausto enquanto está aqui". Em dezembro, Ahmadinejad foi alvo de críticas por promover uma conferência acadêmica que questionou a ocorrência do Holocausto durante a Segunda Guerra Mundial.Nesta sexta-feira, forças iranianas capturaram 15 integrantes da Marinha Real Britânica durante uma patrulha no Golfo Pérsico.O incidente amplia as tensões em torno do Irã, que já está sob pressão internacional e até sob ameaça de ataque dos Estados Unidos, uma vez que o Conselho de Segurança da ONU discute um projeto de resolução que amplia as sanções econômicas ao país.SançõesAs novas sanções, caso sejam aprovadas, proibirão a exportação de armas do Irã e congelarão ativos financeiros de 28 pessoas e organizações envolvidas no programa nuclear e de mísseis do país. Apesar dos cinco membros permanentes do Conselho (EUA, França, Rússia, China e Grã-Bretanha) terem concordado sobre o texto da nova resolução, vários países que ocupam os assentos não-permanentes já disseram ser contra novas sanções.Numa tentativa de superar o impasse, a Rússia ofereceu um acordo sobre uma proposta da Indonésia e do Catar, que pede o fim das armas de destruição de massa no Oriente Médio. A Rússia propôs o reconhecimento de que "uma solução para a questão nuclear do Irã contribuiria para os esforços globais de não-proliferação, incluindo os do Oriente Médio". França e Inglaterra já aprovaram o texto apresentado pelos russos, e os EUA disseram que ainda estão analisando a proposta. "É definitivamente uma questão central e provavelmente a chave para unanimidade", disse o porta-voz da representação francesa, Alex Crau.Em dezembro, a ONU já havia aprovado a adoção de sanções limitadas contra o Irã, ordenando que todos os países suspendessem o envio de materiais que pudessem ser usados no programa nuclear do país. A resposta iraniana foi a expansão do enriquecimento de urânio.

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