Ahmadinejad diz que presidente 'retornará no Juízo Final'

Ao longo de seus 14 anos no poder, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, chamou a atenção internacional por ter forjado alianças com líderes mundiais antagônicos aos interesses americanos, como o iraquiano Saddam Hussein, o iraniano Mahmoud Ahmadinejad e o sírio Bashar Assad, além de outros autocratas de menor escalão, como o bielo-russo Alexandr Lukachenko.

CARACAS, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2013 | 02h13

Antes de se dirigir a Caracas para os funerais de Chávez, Ahmadinejad provocou polêmica no Irã ao dizer que o líder bolivariano retornará à Terra ressuscitado no dia do Juízo Final juntamente com o imã Mehdi - maior figura do xiismo - e Jesus Cristo, que é tido como um importante profeta para os muçulmanos.

A declaração provocou a revolta de líderes religiosos iranianos, que têm tido desentendimentos com o presidente. "Eu disse que ele foi longe demais com essa menção em sua homenagem", disse o clérigo Ahmed Khatami, aliado próximo do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, segundo o jornal britânico The Guardian. "O presidente deveria ter ciência de que uma homenagem como essa provocará reações de nossas instituições religiosas. Ele não deveria mandar uma mensagem diplomática com essa conotação religiosa."

"Chávez estará vivo enquanto a Justiça, o amor e a liberdade viverem", escreveu Ahmadinejad em uma carta publicada pela agência Mehr. "Não tenho dúvidas de que ele voltará juntamente com Cristo, o salvador, herdeiro da santidade e da perfeição dos homens, e trará paz e justiça a todos."

Ahmadinejad não mencionou explicitamente o imã Mehdi, reverenciado como o messias dos xiitas, mas a menção a Jesus Cristo traz implícito o conceito de que Chávez seria um aliado do imã. O retorno do imã à Terra é para os muçulmanos análogo ao dia do Juízo Final e a segunda vinda de Jesus Cristo para os cristãos. Para os xiitas, os dois voltarão juntos à Terra.

O governo do Irã decretou um dia de luto oficial pela morte do presidente venezuelano. Os dois países tinham acordos no setor de exploração de petróleo e militar. / AP

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