Ahmadinejad diz que programa nuclear do Irã é ''''caso encerrado''''

Apesar de Bush tentar ignorá-lo, presidente iraniano vira principal personagem da 62.ª Assembléia-Geral da ONU

Nova York, O Estadao de S.Paulo

26 de setembro de 2007 | 00h00

O presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, anunciou em seu discurso na 62ª Assembléia-Geral da ONU que as ambições nucleares iranianas eram "caso encerrado" e o assunto seria tratado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ligada à ONU. Ahmadinejad também acusou os EUA de violarem os direitos humanos. "Instalar prisões secretas, seqüestrar pessoas e julgá-las sem que haja um processo legal, tudo isso transformou-se em algo comum nos EUA."Julgando ter dado muita publicidade para Ahmadinejad, o presidente americano, George W. Bush, tentou ignorá-lo e apenas citou o Irã em seu discurso. Por mais que se esforçasse, porém, a Casa Branca não evitou que Ahmadinejad fosse o assunto do dia e roubasse o posto de vilão do Ocidente, que ano passado foi do venezuelano Hugo Chávez.Os ataques mais duros ao regime iraniano vieram do presidente da França, Nicolas Sarkozy. "Não haverá paz no mundo se deixarmos que o Irã consiga armas nucleares", disse. Pouco antes, a chanceler alemã, Angela Merkel, havia ameaçado Teerã com novas sanções. "Devemos ser duros com o Irã", afirmou.Néstor Kirchner, presidente da Argentina, também se juntou ao coro dos descontentes, exigindo que Teerã colabore com as investigações do atentado contra a sede da associação judaica Amia, de Buenos Aires, que matou 29 pessoas, em 1994. "Espero que o Irã respeite e colabore com a Justiça argentina."Ahmadinejad foi notícia também fora da ONU. A Câmara dos Deputados aprovou ontem, por 397 votos a 16, a punição para empresas estrangeiras que mantenham filiais nos EUA e, ao mesmo tempo, invistam no Irã. A regulamentação também pôs a Guarda Revolucionária na lista de organizações terroristas. Na Califórnia, o governador Arnold Schwarzenegger anunciou que assinará uma lei, recentemente aprovada no Legislativo local, que proíbe investimentos de empresas californianas no Irã.Em defesa de Ahmadinejad saíram o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, e o boliviano, Evo Morales. "Qual autoridade moral os EUA têm para impedir que o Irã desenvolva tecnologia nuclear com fins pacíficos?", indagou Ortega. "Nossa relação com o Irã é assunto soberano da Bolívia", disse Morales, em resposta aos críticos de seu encontro com Ahmadinejad, marcado para amanhã, em La Paz. Antes de voltar ao Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também falou sobre o assunto. "Até agora, o Irã não cometeu nenhum crime", declarou Lula. AP, REUTERS E EFEQUEM FALOU DO IRÃ Nicolas Sarkozy, presidente da França Angela Merkel, chanceler da AlemanhaNéstor Kirchner, presidente da ArgentinaArnold Schwarzenegger, governador da CalifórniaEvo Morales, presidente da BolíviaDaniel Ortega, presidente da NicaráguaLuiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.