Ahmadinejad: Irã pode cooperar com os EUA se direitos forem respeitados

Presidente aconselhou líder americano a abandonar postura ofensiva a Teerã para novas oportunidades

AE, Agência Estado

13 de abril de 2010 | 15h23

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse nesta terça-feira, 13, que está pronto a cooperar com os Estados Unidos, se os direitos de seu país forem respeitados. "Estamos prontos para conversar e cooperar com os Estados Unidos, se nossos direitos forem respeitados", disse o líder iraniano na TV estatal.    

 

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"Reconhecer o Irã pode beneficiar os dois lados. Enquanto o Irã estiver preocupado nós não estamos buscando nenhum confronto (com os EUA)", afirmou  Ahmadinejad.

 

As potências ocidentais temem que o Irã esteja desenvolvendo armas nucleares sob um programa nuclear que alega ter apenas fins civis e pacíficos.

 

O presidente afirmou ainda que seu país se transformou na "única opção" que restou ao presidente dos EUA, Barack Obama, para realizar as mudanças que o americano tentou e não conseguiu na Palestina, no Afeganistão e no Iraque, segundo informações da agência AFP.

 

"A Obama só restou o Irã como opção. Só tem mais um lugar onde poderia dizer que conseguiu mudar, assim como o contexto mundial, e esse lugar é o Irã", acrescentou o presidente iraniano.

 

Apesar do tom crítico, o líder iraniano aconselhou o americano a abandonar a postura ofensiva, o que lhe renderia novas oportunidades. "O melhor para ele seria aceitar e respeitar o Irã e começar a cooperar. Então disporá de novas oportunidades", disse Ahmadinejad.

 

Ainda assim, a postura de Ahmadinejad, que também afirmou estar escrevendo uma carta para Obama, pode sinalizar uma possível mudança na postura de Teerã a respeito dos Estados Unidos.

 

Obama deixou claro na semana passada que o Irã e a Coreia do Norte foram excluídos de novos limites para o uso de armas nucleares, algo que Teerã interpretou como ameaça.

 

Conferência

 

O Irã afirmou hoje que ministros das Relações Exteriores de 15 países participarão de uma conferência sobre desarmamento nuclear, marcada para os dias 17 e 18 em Teerã. A conferência na capital iraniana ocorre apenas alguns dias após um encontro sobre segurança nuclear em Washington, nos Estados Unidos, com a presença de mais de 40 líderes mundiais.

"Os ministros das Relações Exteriores de 15 países e mais de 200 convidados estrangeiros participarão da conferência em Teerã", afirmou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores. Ele não citou quais países participariam. Segundo o funcionário, a intenção do encontro é combater "genuinamente o uso de armas nucleares no mundo de hoje". O porta-voz criticou o encontro em Washington, lembrando que os EUA mantêm um dos maiores estoques de armas nucleares do mundo.

O Irã não participa do encontro na capital dos EUA, nação que pressiona a comunidade internacional para sancionar Teerã por seu programa nuclear. O governo iraniano afirma ter apenas fins pacíficos, mas Washington e seus aliados temem que o país busque secretamente produzir armas nucleares. O Irã já foi alvo de três rodadas de sanções no Conselho de Segurança da ONU.

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