Ahmadinejad oferece apoio ao Sudão contra pressões da ONU

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, manifestou nesta quarta-feira o respaldo de seu país ao Sudão contra "as pressões internacionais" que o país africano encara, em reunião com Omar Hasan al Bachir, presidente sudanês.Na terça-feira, o Tribunal Penal Internacional acusou um ex-vice-ministro do Interior sudanês por crimes contra a humanidade cometidos na região de Darfur. Segundo o promotor, Ahmed Muhammed Harun teria ajudado a recrutar membros para a milícia Janjaweed. O grupo é responsável por assassinatos, torturas e seqüestros.Ahmadinejad chegou a Cartum em visita oficial de dois dias, à frente de uma delegação integrada por vários ministros. Após reunião à portas fechadas com Bachir, o líder iraniano expressou sua postura em reunião ampliada com ministros de ambos os países."Digo que o Irã rechaça as pressões que exercem a ordem hegemônica (ocidental) contra o governo e a população do Sudão". Ahmadinejad se referia às ameaças de sanções internacionais que o Sudão encara devido ao conflito na região de Darfur, no oeste do país.Em sua opinião, essa "hegemonia ocidental" é a responsável "pela deterioração da situação que vivem Iraque, Líbano e Palestina, porque conspira para prejudicar o mundo islâmico".Ao referir-se aos laços bilaterais entre Cartum e Teerã, Ahmadinejad destacou que "não temos restrições ou limites ao desenrolar as relações bilaterais, já que a cooperação engloba energia, petróleo, agricultura, indústria, saúde e serviços".O presidente do Irã também criticou a presença militar americana no Iraque, ao afirmar que "a ocupação (estadunidense) chegou a esse país só para impor seu domínio, saquear seus recursos e alimentar a violência sectária".Bachir concordou com Ahmadinejad ao assegurar "que a discórdia semeada nos povos do Iraque, Líbano e Palestina são culpa das potências conhecidas pelo seu desejo em debilitar o mundo muçulmano".O chefe de Estado sudanês elogiou a visita de seu colega iraniano e que pretende cumprir os acordos alcançados anteriormente entre os dois países. Na quinta-feira, os dois presidentes haviam previsto subscrever acordos nas áreas de energia, agricultura e indústria.

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