Ahmadinejad pede fim das sanções por sucesso do diálogo nuclear

Irã e potências ocidentais marcaram nova rodada de negociações para janeiro, em Istambul

BBC

07 de dezembro de 2010 | 11h51

TEERÃ - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou nesta terça-feira que as negociações sobre o programa nuclear de seu país serão bem-sucedidas se as sanções impostas pelas potências mundiais forem suspensas.

 

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"Se você chegar às negociações cancelando todas as coisas más e decisões erradas que foram adotadas... suspender resoluções, sanções e algumas restrições que foram criadas, então os diálogos serão definitivamente frutíferos", disse Ahmadinejad à TV estatal iraniana.

A declaração de Ahmadinejad ocorreu no segundo dia de negociações entre seu governo e as principais potências mundiais, em Genebra (Suíça), a respeito do programa nuclear iraniano.

Nesta terça-feira, as partes concordaram em realizar uma nova rodada de diálogos em Istambul, no fim de janeiro.

As sanções impostas sobre o Irã foram aprovadas em junho por meio de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, depois que as potências negociadoras recusaram um acordo mediado por Brasil e Turquia, que previa o envio de urânio pouco enriquecido para Ancara.

O acordo, que havia sido aprovado por Teerã, se seguiu a uma proposta feita em outubro de 2009, e recusada pelos iranianos, de enviar ao exterior 1,2 mil quilos de urânio pouco enriquecido, em troca de combustível nuclear em grau maior de enriquecimento para uso civil.

Há a suspeita entre países ocidentais de que o programa nuclear do Irã seja uma fachada para a fabricação de armas atômicas. A alegação é rejeitada por Teerã, que afirma que seu objetivo é usar a energia nuclear para fins pacíficos.

Obrigações

A chefe de Relações Exteriores da União Europeia (UE), Catherine Ashton, definiu os diálogos em Genebra como "substanciais", mas disse que o Irã deve cumprir com as suas "obrigações internacionais".

"Os países que eu represento estão unidos em buscar uma resolução das preocupações da comunidade internacional em relação ao programa nuclear iraniano, que é o propósito central destes diálogos", disse Ashton.

"Nós reconhecemos os direitos do Irã, mas insistimos que ele cumpra suas obrigações", acrescentou.

Além de Ashton, as negociações envolvem o principal negociador nuclear iraniano, Saeed Jalili, e autoridades dos cinco países que são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, China, Rússia, França e Grã-Bretanha), somados à Alemanha.

Jalili reafirmou que Teerã não aceitará negociações sobre seus "direitos nucleares". Ele disse ainda que os diálogos de Istambul ocorrerão "em termos de cooperação".

 

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Ashton também ressaltou a cooperação entre as partes. "Nós planejamos discutir ideias práticas e maneiras de cooperar em busca da resolução de nossas preocupações sobre a questão nuclear", disse.

Segundo o correspondente da BBC em Genebra James Reynolds, autoridades comentam que os diálogos marcados para Istambul representam uma "pequena e positiva" perspectiva de acordo.

Reynolds acrescenta, no entanto, que ainda existe um enorme nível de desconfiança entre os lados envolvidos na negociação.

 

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