Ahmadinejad prepara transição em reunião com novo líder no Irã

Presidente diz que está pronto para transferir o poder e felicita Rohani, que venceu as eleições na semana passada

TEERÃ, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2013 | 02h06

O presidente iraniano, o conservador Mahmoud Ahmadinejad, reuniu-se ontem com seu sucessor moderado Hassan Rohani pela primeira vez desde que ele foi eleito, na semana passada. De acordo com a agência de notícias oficial do Irã, a Irna, eles discutiram questões políticas e econômicas. O encontro foi realizado no escritório de Rohani, em Teerã.

Ahmadinejad felicitou Rohani por sua vitória e se comprometeu em facilitar a transição para o novo governo. O presidente eleito, que toma posse em agosto, prometeu que a sua eleição marca o início de "mudanças" em todas as áreas no Irã, após oito anos de governo conservador.

"Estamos prontos para transferir todas as responsabilidades para o novo governo de maneira adequada", disse o presidente. "O período de transição exige cooperação e coordenação. E ambas as partes estão prontas para isso", respondeu Rohani, que nomeou um comitê de transição. "O Irã pode contribuir para o bem-estar e para o progresso global respeitando as diferenças."

Após a eleição de Rohani, de 64 anos, apoiados pelos reformistas, as expectativas da população são grandes, especialmente por melhorias na economia de um país sufocado pelas sanções impostas pela comunidade internacional em razão de seu programa nuclear.

Rohani venceu as eleições iranianas com 50,7% dos votos. Ele era o único na disputa que não fazia parte do campo conservador, vinculado ao líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, e obteve vantagem suficiente para encerrar a eleição ainda no primeiro turno.

O resultado surpreendeu iranianos e observadores estrangeiros. A vitória folgada demonstra que a maioria dos iranianos está insatisfeita com os rumos que o líder supremo e seus aliados têm imposto ao Irã. Além disso, indica que os reformistas ainda têm forte influência. Segundo analistas, porém, a vitória não deve trazer mudanças bruscas em temas estratégicos como o programa nuclear ou a política econômica, decididos por Khamenei.

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