Ahmadinejad prevê fim do domínio dos EUA

Na cúpula da ONU, líder iraniano critica Israel e defende direito de o Irã ter programa nuclear

AP, AFP, Efe e Reuters, Nova York, O Estadao de S.Paulo

24 de setembro de 2008 | 00h00

O presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, defendeu ontem o direito de seu país de ter um programa nuclear e afirmou que o domínio dos EUA no mundo está com seus dias contados. "O império americano no mundo está chegando ao fim de sua estrada e seus próximos líderes têm de limitar sua interferência às suas próprias fronteiras", disse Ahmadinejad no discurso que fez na Assembléia-Geral da ONU, em Nova York. O líder iraniano criticou duramente os EUA e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), acusando-os de agir como "agressores" no Iraque e no Afeganistão com o objetivo de ganhar apoio.Ahmadinejad, que afirmou no passado que Israel deveria ser eliminado do mapa, acusou o "regime sionista" de manipular os EUA e outros países. "Hoje, o regime sionista está em declínio definitivo e não há maneira alguma de sair da fossa que eles e seus partidários criaram." O presidente iraniano também afirmou que a segurança e a cultura de alguns países da América Latina estão ameaçadas por "governos estrangeiros dominantes".O presidente ainda reiterou que o programa nuclear do Irã é "puramente pacífico" e não tem a intenção de produzir armas, como suspeitam os EUA e alguns países da Europa. "Alguns poderes intimidatórios tentam pôr obstáculos no caminho de atividades nucleares pacíficas da nação iraniana ao imporem pressões políticas e econômicas contra o Irã", disse.Ahmadinejad ainda acusou essas "potências" de ameaçarem a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão da ONU responsável por monitorar atividades nucleares. "O grande povo iraniano resistirá a essa intimidação e defenderá seus direitos", afirmou Ahmadinejad. "A nação iraniana está aberta para o diálogo, mas não aceitará demandas ilegais."Washington e seus aliados acusam o Irã de querer desenvolver seu programa de enriquecimento de urânio para fazer armas nucleares, mas Teerã insiste que seu programa tem como único objetivo produzir eletricidade para uso civil. O Irã já está sob três sanções do Conselho de Segurança da ONU por recusar-se a suspender seus projetos nucleares.O primeiro dia da Assembléia-Geral da ONU, que será encerrada no dia 1º, também teve os discursos dos presidentes George W. Bush, dos EUA; Nicolas Sarkozy, da França; Evo Morales, da Bolívia; e Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil (mais informações no Caderno de Economia).Em seu discurso, o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, prometeu ontem uma segunda "Revolução Rosa" em seu país ao ampliar as liberdades em resposta à invasão russa do início de agosto que, segundo ele, buscou afetar a democracia georgiana.Falando na Assembléia-Geral sete semanas após as forças russas entrarem na Geórgia após Tbilisi tentar reaver o controle sobre a província separatista da Ossétia do Sul, Saakashvili prometeu iniciar uma guerra, não com armas, mas "com valores". Saakashvili, que chegou ao poder cinco anos atrás, disse que a Geórgia foi atacada "porque é uma democracia bem-sucedida" naquela parte do mundo.

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