Ahmadinejad: Resoluções do CS não afetarão programa nuclear iraniano

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse nesta sexta-feira que as resoluções do Conselho de Segurança da ONU não irão fazer com que Teerã desista do enriquecimento de urânio, acrescentando que o mundo teria paz se não você pelas ameaças dos Estados Unidos.O presidente discursou em duas cidades no nordeste do país antes da publicação do relatório da Agência Nacional de Energia Atômica (AIEA). O documento afirma que o Irã ignorou o prazo de 30 dias estipulado pelo Conselho de Segurança para que suspenda o enriquecimento de urânio."Depois de mais de três anos de esforços da agência em busca de clareza sobre todos os aspectos do programa nuclear iraniano, os vãos existentes continuam sendo uma questão preocupante", diz o documento.O chefe da Organização Atômica do Irã, Mohammed Saeedi, ignorou as críticas, afirmando que o relatório da AIEA "não contém pontos negativos".As afirmações do relatório abrem caminho para que o Conselho de Segurança aprove uma resolução sobre o Irã, apesar de Estados Unidos e França serem a favor de uma postura mais agressiva do que a Rússia e a China, países com poder de veto.A língua da coerção"A nação iraniana não se importa nem um pouco com essas resoluções inúteis", disse Ahmadinejad a centenas de pessoas na cidade de Khorramdareh na sexta-feira."Aqueles que usam a língua da coerção devem saber que a energia nuclear é uma exigência nacional e pela graça de Deus, o Irã é hoje um país nuclear", acrescentou o presidente. A multidão respondeu com gritos de "abaixo a América" e "energia nuclear é nosso direito".Nos Estados Unidos, o presidente George W. Bush disse que o mundo está preocupado com "não só com o desejo iraniano de obter energia nuclear, como sua capacidade de produzir uma arma nuclear".Bush acrescentou que não estava desanimado com a postura desafiadora do Irã à pressão mundial. "Acho que as opções diplomáticas estão apenas começando" disse ele.Mais reaçõesO relatório da IAEA gerou reações de outras nações, que estão preocupadas com o desenvolvimento nuclear do Irã.O ministro do Exterior britânico Jack Straw descreveu o documento como "muito sério" e disse que seu governo irá pedir ao Conselho de Segurança que "aumente a pressão sobre o Irã".O ministro do exterior adjunto da Rússia, Sergei Kislyak disse que seu governo estudará o relatório "com muito cuidado com o objetivo de chegar a um consenso sobre os futuros passos para resolver a questão iraniana".

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