Ahmadinejad reúne-se com intelectuais no Rio

Encontro indica apoio ao presidente iraniano, para quem o Irã serve como exemplo de que é possível progredir sem apoio dos países colonialistas

LOURIVAL SANTANNA , ENVIADO ESPECIAL / RIO, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2012 | 03h03

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, reuniu-se ontem com cerca de 60 intelectuais brasileiros de esquerda, numa manifestação de apoio ao mais controvertido dos 94 chefes de Estado e de governo presentes na Rio+20.

"Hoje de manhã me reuni com um grupo de intelectuais da elite brasileira", afirmou Ahmadinejad, durante entrevista coletiva. "Apresentaram opiniões sobre os temas do mundo. Pessoas que lutaram por estabelecer a justiça na sociedade; uma longa luta. Alguns passaram mais de 20 anos na prisão para poder concretizar seus objetivos."

Dentre os que se reuniram com Ahmadinejad estava o sociólogo Emir Sader, influente conselheiro para assuntos internacionais no PT; Carlos Zarattini, outro petista de São Paulo; o comunista Haroldo Lima, presidente da Agência Nacional do Petróleo no governo Lula; o brizolista Fernando Peregrino, que foi candidato a governador pelo PR em 2010, ficando em terceiro lugar; e João Vicente Goulart, filho do ex-presidente João Goulart. Na coletiva, em um hotel da zona sul do Rio, sob forte esquema de segurança, Ahmadinejad garantiu que, apesar do acirramento das sanções econômicas, o Irã seguirá adiante com seu programa nuclear. "Com seu pensamento materialista, eles acham que, rompendo as relações econômicas, podem atingir seus objetivos", disse o presidente iraniano que, como sempre, fez uma rápida oração antes da coletiva e disse que falava "em nome de Deus". "Estão errados. É nosso desejo cortar os laços de dependência dos países ocidentais."

"Graças aos esforços de nossos especialistas e profissionais, grande parte das necessidades do país tem sido atendida (sem ajuda externa)", disse. "O Irã já é a 17.ª economia do mundo e em breve será a 15.ª, sem apoio do Ocidente. Acho que o Irã é um bom modelo para demonstrar que sem apoio dos colonialistas é possível progredir", disse.

Apoio brasileiro. Ahmadinejad lembrou que o Irã aceitou a solução mediada em maio de 2010 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan. "Eles (as potências ocidentais) responderam com uma nova resolução no Conselho de Segurança contra nós", recordou Ahmadinejad.

"Continuamos com nossa paciência e procuraremos negociações em vez de enfrentamentos. Mas seguramente defenderemos nossos direitos."

O líder iraniano, no entanto, descartou a hipótese de uma resposta militar a uma escalada do conflito na Síria, seu aliado estratégico no Oriente Médio. Respondendo a uma pergunta do Estado, ele disse que o envio de armas ou uma intervenção militar apenas agravariam a situação e defendeu uma saída negociada.

Ahmadinejad, que veio de uma visita a Evo Morales na Bolívia, partiria hoje para a Venezuela, para se encontrar com Hugo Chávez.

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