Ahmadinejad tem reunião com Fidel e chega ao Equador

Dois dos maiores críticos do governo dos Estados Unidos, o presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad e o ex-presidente cubano Fidel Castro tiveram uma reunião de duas horas para discutir assuntos da política mundial. Ahmadinejad descreveu Fidel como "saudável" e "engajado" e declarou que o Irã e Cuba são dois países aliados "lutando na mesma frente". "Ver o comandante (Fidel) saudável e em forma me deixou muito feliz" disse Ahmadinejad no Aeroporto de Havana, ao lado do presidente cubano Raúl Castro, após a reunião com Fidel. Ahmadinejad, que fez uma rápida visita a Cuba, chegou mais tarde nesta quinta-feira a Guayaquil, onde finaliza no Equador sua viagem de cinco dias à América Latina.

AE, Agência Estado

12 de janeiro de 2012 | 17h48

Mais tarde nesta quinta-feira, Ahmadinejad terá uma reunião com o líder da Assembleia Legislativa do Equador, Fernando Cordero. Ele deverá voltar ao Irã amanhã, após visitar Venezuela, Nicarágua, Cuba e o Equador.

Raúl disse que Ahmadinejad e seu irmão Fidel, de 85 anos, conversaram durante duas horas na quarta-feira, "uma demonstração de que o cérebro dele (Fidel) está trabalhando muito bem". Fidel renunciou em 2006 devido a uma grave enfermidade, mas continua a escrever artigos comentando a política e problemas mundiais que são publicados na imprensa estatal cubana.

Um dos temas preferidos de Fidel é a possibilidade de que um bombardeio dos Estados Unidos ou de Israel contra o Irã possa levar a uma guerra nuclear. No ano passado, o governo do Irã elogiou o apoio de Fidel, mas não compartilhou sua visão apocalíptica sobre os eventos. O Irã afirmou que não será atacado pelo Ocidente ou por Israel. Já Raúl Castro teve uma reunião com Ahmadinejad na noite de quarta-feira. "Nós temos posições comuns sobre muitas coisas", disse Ahmadinejad. "Nós estivemos, estamos e estaremos junto um com o outro".

Ahmadinejad não comentou a escalada das tensões entre o Irã e os EUA sobre o programa nuclear iraniano, assim como não fez comentários sobre o assassinato, na quarta-feira, de um jovem cientista nuclear iraniano em Teerã. O governo do Irã culpou Israel, os EUA e a Grã-Bretanha pela morte. Os EUA negaram envolvimento.

Nesta quinta-feira, o presidente dos EUA, Barack Obama, conversou pelo telefone com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para discutir o impasse a respeito da questão nuclear iraniana. Na semana passada, Washington alertou os países da América Latina contra o aprofundamento dos laços com o Irã.

"Existe o risco verdadeiro de um ataque dos EUA contra o Irã", disse nesta quinta-feira Nicolai Patrushev, secretário da Rússia no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo ele, no momento há a "probabilidade" de uma escalada no conflito entre EUA e Irã. Patrushev culpou Israel por isso e afirmou que "Israel está pressionando os EUA nessa direção".

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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