Ahmadinejad ''usou'' líder suíço em comício

Presidente do Irã revelou suposto diálogo com Merz

Jamil Chade, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

06 de maio de 2009 | 00h00

O cancelamento da viagem do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ao Brasil pode ter poupado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ser usado como cabo eleitoral do líder iraniano nas eleições presidenciais de 12 de junho. Nos últimos comícios, Ahmadinejad revelou as conversas que teve com outros chefes de Estado, causando constrangimento e usando suas viagens em favor de sua reeleição. TV Estadão: Presidente iraniano usa líderes como cabos eleitoraisO último chefe de Estado usado por Ahmadinejad em sua campanha foi o da Suíça, Hans Rudolf Merz. No dia 20, o líder iraniano esteve em Genebra para uma conferência da ONU sobre racismo. Mas antes manteve uma reunião de uma hora com Merz. A Suíça atua como mediadora entre a Casa Branca e Teerã. Dois dias depois, Ahmadinejad revelou em um discurso como foi a conversa com Merz para tentar mostrar que não está isolado. "Eu entendo que os americanos também estão pressionando vocês", afirmou Ahmadinejad a Merz. Segundo o iraniano, o dirigente suíço confirmou: "Sim, estamos sendo pressionados. Eles nos intimidam." Ahmadinejad aproveitou-se do fato de que os EUA estão pressionando a Suíça a acabar com as leis de sigilo bancário para insinuar que Irã e Suíça têm um inimigo comum."Então, perguntei (a Merz)", continuou Ahmadinejad. "Quem provocou a crise? Ele me respondeu: ?Os americanos?. Qual então é o plano americano para compensar as perdas? E ele me respondeu: ?Os americanos querem que paguemos a conta deles.?" Ahmadinejad afirmou ainda que, no encontro com Merz, levantou a possibilidade de Washington passar a conta da recuperação mundial a outras nações. Merz teria respondido que sim. "Quando os americanos têm lucro, o dinheiro vai direto para seus bolsos. Mas quando eles perdem jogam a conta para os outros", teria dito Merz a Ahmadinejad. A administração suíça não quis comentar o discurso de Ahmadinejad. "Não cabe a nós comentar o que disse o presidente do Irã", afirmou um porta-voz de Merz. Em outro momento do discurso, Ahmadinejad teria usado sua viagem pela Suíça para convencer os eleitores iranianos de que ele não isolou o Irã. "Existem três ou quatro países da Europa, que são egoístas e os mais isolados do mundo", disse. No ano passado, em uma conferência da ONU em Doha, no Catar, Ahmadinejad também havia adotado a mesma tática. Durante seu discurso, o presidente iraniano citou uma visita a Teerã do chanceler brasileiro, Celso Amorim, em novembro, para demonstrar que o Irã estava em constante diálogo com a comunidade internacional.

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