AI acusa forças de Kadafi de promover desaparecimentos forçados

Em relatório, Anistia detalha mais de 30 casos de desaparecimento desde que tiveram início os protestos contra o regime, incluindo ativistas políticos e suspeitos de ser combatentes rebeldes

Efe,

29 de março de 2011 | 05h06

LONDRES - A Anistia Internacional (AI) acusou nesta terça-feira, 29, as forças líbias fiéis a Muammar Kadafi de realizar uma campanha de desaparecimentos forçados em sua tentativa de reprimir toda oposição ao seu regime.

 

Em um relatório apresentado nesta terça, a principal organização internacional de direitos humanos detalha mais de 30 casos de indivíduos desaparecidos desde que tiveram início os protestos contra o regime, incluindo ativistas políticos e suspeitos de ser combatentes rebeldes ou seus partidários.

 

"Parece existir uma política sistemática consistente em deter qualquer suspeito, mantê-los incomunicáveis e transferi-los ao oeste da Líbia", denunciou Malcolm Smart, diretor da AI para o Oriente Médio e o norte da África.

 

"Dadas as circunstâncias de seus desaparecimentos forçados, há muitos motivos para crer que esses indivíduos se expõem a grave risco de torturas e maus tratos", assinalou Smart.

 

Segundo a Anistia Internacional, os desaparecimentos na Líbia começaram antes que os protestos contra Kadafi se transformassem em rebelião armada contra seu regime.

 

Enquanto as forças rebeldes tomavam o controle de Benghazi e as forças pró-Kadafi iniciavam sua retirada, estas últimas parecem ter sequestrado certo número de manifestantes, entre eles crianças, disse a AI.

 

Os desaparecimentos continuaram à medida que se desenvolvia o conflito, e assim foi perdida a pista de vários indivíduos na localidade fronteiriça de Ben Jawad.

 

A AI fez ainda nesta terça-feira uma chamada para que Kadafi permita acesso imediato e independente a todas as pessoas detidas a fim de garantir sua segurança e protegê-las de possíveis torturas, além de poder tranquilizar seus familiares.

 

"O coronel Kadafi pode ser declarado responsável diante de um tribunal internacional pelos crimes cometidos por suas forças durante o conflito", adverte a AI em seu comunicado.

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