AI alerta Londres sobre o risco de enviar supostos terroristas à Argélia

A Anistia Internacional (AI) denunciou as prisões secretas e contínuas torturas às quais são submetidos supostos terroristas na Argélia, país para o qual o governo britânico quer deportar vários suspeitos. Em comunicado emitido em Londres, a AI pede ao governo argelino que reduza os poderes do serviço de inteligência militar (DRS), a quem responsabiliza pelos maus-tratos, e alerta o governo britânico sobre a responsabilidade de enviar presos a esse país. A Anistia faz este comunicado às vésperas da retomada em Londres do processo de apelação contra a deportação para a Argélia de vários suspeitos de terrorismo detidos no Reino Unido. O governo britânico está negociando memorandos de entendimento com diversos países de duvidoso histórico de direitos humanos, entre eles a Argélia, para garantir que não torturarão os suspeitos repatriados. Impunidade e torturas "Preocupa-nos que o governo queira enviar outra vez suspeitos para a Argélia, onde enfrentariam um sério risco de tortura", diz no comunicado Kate Allen, diretora da AI no Reino Unido. "São particularmente os suspeitos de terrorismo os que têm maior risco na Argélia, onde o poderoso serviço de inteligência militar DRS segue operando com impunidade, detendo secretamente e torturando aqueles suspeitos", acrescenta. Segundo Allen, o governo britânico "está tentando negociar um acordo que entregaria os suspeitos a um governo com um longo histórico de tortura e que ainda dá carta branca ao DRS para que detenha em segredo pessoas e as torture". A Anistia enviou ao presidente da Argélia, Abdelaziz Bouteflika, um relatório no qual detalha doze casos específicos de detenção clandestina e tortura de suspeitos de terrorismo pelos serviços secretos. Entre os casos documentados inclui-se o de Amar Sakher, um camponês de 33 anos que foi detido em fevereiro de 2005 e levado a uma base do DRS, onde foi torturado durante 14 dias, com surras e descargas elétricas, até que "confessou" que pertencia a um grupo armado. Salaheddine Bennia, detido em junho de 2003 após sua deportação forçada desde a Holanda, foi mantido recluso em segredo pelo DRS durante um ano e meio em quartéis em Argel até que foram apresentadas acusações contra ele. Segundo a AI, Bennia assegura que durante este período foi submetido a muitas torturas. O DRS normalmente detém suas vítimas em centros secretos, onde as pessoas ficam amontoadas em condições precárias, denuncia a AI. Segundo a Anistia, não há supervisão civil, e os oficiais agem com impunidade, já que muitas denúncias de tortura nem sequer são investigadas.

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