AP Photo/Tsafrir Abayov
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AI critica Airbnb por voltar a permitir aluguel de imóveis em colônias judaicas na Cisjordânia

Empresa havia anunciado em novembro decisão de retirar ofertas de casas nos territórios palestinos ocupados, mas recuou após pressão; ONG diz que site perdeu 'oportunidade de tomar a decisão correta para defender os direitos humanos'

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2019 | 14h18

TEL-AVIV - A Anistia Internacional (AI) condenou nesta quarta-feira, 10, o serviço online de aluguel de casas e quartos Airbnb por não retirar as ofertas de hospedagem em colônias judaicas no território palestino ocupado da Cisjordânia, uma decisão que a ONG classificou de "covarde".

A decisão final do Airbnb "será outro golpe devastador para os direitos humanos dos palestinos" e representa "uma renúncia profundamente vergonhosa de sua responsabilidade como empresa" em relação ao respeito do direito internacional humanitário, segundo a AI.

A ONG avaliou que, "ao continuar promovendo o turismo em assentamentos ilegais", o Airbnb ajuda "a impulsionar a economia" nestes locais e por isso "está contribuindo diretamente para a manutenção e a expansão" das colônias - na semana passada, o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, prometeu anexar partes da Cisjordânia se for reeleito.

Em sua decisão anunciada na véspera, o Airbnb esclareceu que não obterá lucro ao continuar permitindo alojamentos em toda a Cisjordânia e que os valores arrecadados nestes casos "serão doados a organizações sem fins lucrativos dedicadas à ajuda humanitária".

A AI acredita que a medida do Airbnb é insuficiente e considera que a companhia perdeu "uma clara oportunidade de tomar a decisão correta para defender os direitos humanos e usar sua influência para estabelecer um precedente na indústria do turismo".

Em novembro, o Airbnb anunciou a decisão de retirar de sua plataforma a oferta de casas situadas em colônias judaicas, algo que foi duramente criticado por Israel e pelo governador da Flórida, Ron De Santis, que advertiu que buscaria uma forma de punir a empresa pela medida por considerar que ela discrimina os cidadãos israelenses.

Após voltar atrás na terça-feira, a companhia declarou que reconhece que há "outros territórios em disputa", embora as Nações Unidas não definam a situação desta maneira, pois consideram Cisjordânia e Jerusalém Oriental como territórios ocupados por Israel desde 1967. / EFE

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