Andy Wong/AP
Andy Wong/AP

Ai Weiwei agora é investigado por pornografia na China

'Ontem eles levaram meu assistente à delegacia e disseram claramente a ele que esta é uma investigação que estão fazendo contra mim', disse o artista

AE, Agência Estado

18 de novembro de 2011 | 09h33

PEQUIM - A polícia chinesa está investigando Ai Weiwei por acusações de pornografia, disse o artista nesta sexta-feira, 18, na mais recente ação contra o crítico do governo, após ele chegar a ser preso por 81 dias por suposta sonegação de impostos. As novas acusações tratam de fotos antigas divulgadas na internet pelo ativista, posando com mulheres nuas.

"Ontem eles levaram meu assistente à delegacia. Eles disseram claramente a ele que esta é uma investigação que estão fazendo contra mim por pornografia", disse Ai por telefone. Segundo os artistas, as autoridades já o acusaram de produzir pornografia, mas ele não havia levado isso a sério. "Quando eles me prenderam, disseram: ''Isto é pornografia'', mas eu só ri. Eu disse ''vocês sabem o que é pornografia?''. Nudez não é pornografia."

As fotos mostram Ai e quatro mulheres, todos nus, sentados em cadeiras no meio de um quarto branco sem mobílias.

Nesta semana, Ai começou um processo para contestar uma conta de 15 milhões de yuans (US$ 2,4 milhões) por suposta evasão fiscal, ao pagar 8,45 milhões de yuans a autoridades como garantia. O dinheiro foi levantado por partidários e algumas pessoas chegaram a jogar notas no jardim do ativista, que já ganhou o Nobel da Paz.

Ai é mais famoso na China por fazer parte da equipe que projetou o estádio olímpico "Ninho do pássaro". Ele disse que o apoio recebido mostrou que "não está sozinho" na luta.

O artista plástico não tem autorização para deixar Pequim. Ele nega que tenha sonegado impostos, insistindo que a acusação tem motivações políticas, por causa de seu ativismo. Ai questionou o fato de tantas crianças morrerem em um terremoto em 2008 em Sichuan - muitos disseram que as escolas da região eram de materiais frágeis, por causa da corrupção de autoridades. Em outubro, a revista Art Review apontou-o como a figura mais poderosa no mundo das artes.

 

As informações são da Dow Jones.

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