Aiatolá iraniano acusa EUA de estimular tensão no país

O líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, acusou os Estados Unidos de fomentar a dissensão no Irã e prometeu que Teerã não cederá à "arrogância estúpida" de Washington, informou a televisão estatal da República Islâmica. Em reação às acusações americanas de que o governo iraniano estaria dando abrigo a militantes da rede extremista Al-Qaeda, Khamenei disse que a pressão cada vez maior dos Estados Unidos tem como objetivo obrigar o Irã a abandonar seus valores islâmicos e acatar todas as exigências da Casa Branca."Qual será o derradeiro limite da pressão dos Estados Unidos? Deixe-me dizer a vocês qual é esse limite: é quando nós declararmos em nome da nação iraniana - e nenhum de nós tem o direito de fazê-lo - que não queremos mais o Islã, que não queremos mais uma República Islâmica e que qualquer outra pessoa é melhor se vier aqui governar este país", informou a TV estatal, citando um discurso de Khamenei a parlamentares. Ele acusou os Estados Unidos de estimular a sublevação de funcionários iranianos. Enquanto isso, o chanceler iraniano, Kamal Kharrazi, garantia que reprimir quaisquer células da Al-Qaeda no país faz parte da política do Irã. "Órgãos responsáveis prendem (membros da Al-Qaeda) rotineiramente. Eles são enviados de volta ao país de origem. Aqueles que agiram contra a segurança nacional do Irã são julgados aqui. Alguns deles estão sob nossa custódia e são submetidos a interrogatórios", garantiu Kharrazi, durante entrevista coletiva.O Irã garante ter enviado de volta a seus países de origem cerca de 150 militantes da Al-Qaeda desde os atentados de 11 de setembro de 2001 contra os EUA, e nega ter concedido abrigo a membros da organização extremista.Durante e entrevista coletiva, Kharrazi não citou os Estados Unidos pelo nome, mas o chanceler iraniano rejeitou ainda as acusações americanas de que o país estaria em busca de armas nucleares. Ele ressalvou que a adesão do governo iraniano a novos tratados de não-proliferação depende da concessão ao Irã de acesso a tecnologia nuclear avançada.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.