Aids é comparada às pestes da Idade Média

Vinte anos depois quemédicos de Los Angeles informaram sobre os primeiros casos deaids, a epidemia adquiriu uma dimensão de catástrofe globalcomparável às pestes da Idade Média. Desde 5 de junho de 1981, quando o imunologista MichaelGottlieb e seus colegas da Universidade da Califórnia em LosAngeles (UCLA) descreveram cinco casos de rara pneumonia entrehomossexuais masculinos, a aids já matou cerca de 450.000norte-americanos, incluindo 18.000 em São Francisco. "Relativamente falando, a aids continua sendo uma doençanova", disse a doutora Helene Gayle, diretora do programafederal de prevenção do HIV (vírus que provoca a aids) do Centrode Controle e Prevenção de Doenças em Atlanta. "Mas a dimensãoglobal desta doença é assombrosa", acrescentou. Segundo os últimos dados, as vítimas mundiais da aidsatualmente somam 22 milhões e estima-se que outras 36 milhõesestejam infectadas. Apenas na região subsaariana, na África,vivem 25 milhões de pessoas infectadas com o HIV; na Índia e nosudeste da Ásia são seis milhões. As cifras no Caribe são as mais altas depois da África e aepidemia abriu caminhos na América Latina, China e nas nações daex-União Soviética. Segundo a Organização das Nações Unidas, hoje em dia há 13milhões de órfãos da aids, sendo que 95% deles estão na África. A doutora Ann-Valerie Kaninda, da instituição Médicos SemFronteira, afirmou que 95% das pessoas com HIV vivem em paísespobres e não têm acesso a um tratamento. Um ano de tratamento com drogas contra a aids nos EstadosUnidos custa entre US$ 12.000 e 15.000, uma soma impensável parapaíses onde o orçamento da saúde não passa de alguns dólares porpessoa. "O problema global da aids é uma crise e temos queenfrentá-la com educação e medicamentos mais baratos possíveis" comentou a senadora democrata pela Califórnia e ex-prefeita deSão Francisco, Diane Feinstein.

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