AIEA adota plano de ação para segurança nuclear

A comissão dirigente da agência nuclear da ONU, composta de 35 nações, adotou um plano da ação nesta terça-feira para fortalecer a segurança nuclear mundial depois do acidente de Fukushima no Japão há seis meses, apesar de críticas de diversos Estados de que as propostas haviam sido amenizadas.

FREDRIK DAHL, REUTERS

13 Setembro 2011 | 10h10

O conselho dirigente aprovou por consenso um documento de oito páginas apresentado pelo diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, estabelecendo uma série de medidas voluntárias para aumentar os padrões mundiais de segurança.

O debate dos dirigentes sobre a questão revelou as divergências entre aqueles países que buscam maior comprometimento internacional e os que defendem que a segurança deve permanecer como uma questão estritamente nacional.

"Houve uma série de vozes críticas", disse um diplomata sobre as discussões, fechadas ao público, referindo-se aos países que deixaram claro querer uma ação mais firme a nível internacional.

O desastre nuclear de Fukushima, no Japão, em março gerou um questionamento mundial sobre a energia nuclear e expôs a necessidade de se tomar medidas mais coordenadas, inclusive um aumento na fiscalização de segurança dos reatores, para garantir que tal acidente não ocorra novamente.

Um grupo de nações -- entre elas a Alemanha, França, Suíça, Cingapura, Canadá e Dinamarca -- expressaram descontentamento com a versão final do plano de ação da AIEA, por não ir longe o suficiente.

Os Estados Unidos, a Índia, a China e o Paquistão -- grandes países em termos nucleares -- estavam entre os membros que resistiram a qualquer medida obrigatória de inspeções externas de suas instalações nucleares.

Buscando um meio-termo, a AIEA parece ter recuado gradativamente de suas ambições em uma série de esboços.

O documento final colocou mais ênfase na natureza voluntária das medidas em comparação às versões anteriores, também em relação à questão central de inspeções das usinas nucleares organizadas pela AIEA.

O impacto político do terremoto e tsunami que provocaram uma crise no Japão foi particularmente forte na Europa, onde a Alemanha decidiu fechar todos os seus reatores até 2022 e a Itália votou para banir a energia nuclear por décadas.

Barras de combustível em três reatores no complexo japonês começaram a derreter quando o sistema de resfriamento falhou, provocando um vazamento de radiação e obrigando a retirada de 80 mil pessoas das áreas próximas.

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