AIEA cancela reunião com o Irã e ElBaradei pede avanços

Para o chefe da agência nuclear da ONU, é necessário "interromper de forma urgente" a estagnação e "desativar" o confronto no caso nuclear iraniano

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 02h48

Uma reunião prevista para esta segunda-feira, 11, entre um alto enviado iraniano e o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) foi suspensa depois de suspeitas de que o Irã de não cooperará em fornecer respostas sobre suas atividades nucleares passadas. O encontro entre Javeed Vaidi - o braço direito do negociador-chefe para assuntos atômicos do Irã, Ali Larijani - e o diretor geral da AIEA, Mohamed ElBaradei, vinha sendo encarado como um teste sobre a predisposição do Irã em acabar com anos de desconfiança diante de seu programa nuclear. Na ocasião, Vaidi entregaria ao subdiretor para Salvaguardas da AIEA, Olli Heinonen, novos documentos para esclarecer alguns assuntos pendentes do programa nuclear iraniano. A reunião foi cancelada, entretanto, devido à percepção de que o enviado iraniano não traria nada de substancial ao encontro, disseram fontes da AIEA. A falta de compromisso iraniano, somado à recusa de Teerã em cancelar seu programa de enriquecimento de urânio, foram o foco do pronunciamento de ElBaradei durante a abertura da reunião da mesa de governadores da AIEA, formada por 35 países. "Diante do background de muitos anos de atividades pouco esclarecidas, e levando em conta a delicadeza da tecnologia de enriquecimento de urânio, é uma incumbência do Irã trabalhar urgentemente com a agência de modo a permitir que a AEIA seja capaz de assegurar a natureza exclusivamente pacífica de todas as suas atividades nucleares", disse ElBaradei. Prêmio Nobel da Paz de 2005, ElBaradei lembrou ainda que o Irã continua sem cumprir as exigências do órgão e do Conselho de Segurança da ONU, e tem reduzido sua cooperação com os inspetores internacionais, o que qualificou de "desconcertante e deplorável". É necessário "interromper de forma urgente" a estagnação e "desativar" o confronto no caso nuclear iraniano, completou ElBaradei. O enriquecimento de urânio, cuja produção é considerada legal de acordo com o direito internacional, está no centro da disputa nuclear devido a seu possível duplo uso, civil e militar. Inspetores O responsável da AIEA lamentou que seus inspetores têm cada vez mais problemas para investigar a fundo as atividades nucleares iranianas. "O Irã continua aplicando restrições adicionais e limitações sobre as atividades de verificação da AIEA, o que causou uma deterioração do nível de nossos conhecimentos sobre alguns aspectos do programa nuclear iraniano", disse o chefe do organismo. Apesar do cancelamento da reunião com ElBaradei, Vaidi chegou a se reunir nesta segunda-feira com Robert Cooper, colaborador do alto representante de Política Externa e Segurança da União Européia (UE), Javier Solana. O encontro ocorreu na sede do Ministério de Relações Exteriores da Áustria, em Viena. Depois da discussão - que precederia as reuniões na AIEA -, tanto Vaidi quanto Cooper falaram que houve "algum progresso" nas negociações. Os dois descartaram, no entanto, expectativas de que hajam "milagres" nos próximos dias. O encontro tinha por objetivo preparar uma reunião entre os superiores dos dois diplomatas - Ali Larinjani, do Irã, e Javier Solana, da União Européia. Solana e Larijani se encontraram há dez dias, em Madri, onde os iranianos concordaram em ajudar a esclarecer vários pontos pendentes da investigação sobre seu programa nuclear. EUA O embaixador dos EUA na AIEA, Gregory Schulte, disse à imprensa que o Irã "continua violando" as exigências do Conselho de Segurança. "Os líderes do Irã continuam desenvolvendo capacidades para enriquecer urânio e produzir plutônio. Estas capacidades não são necessárias para se beneficiar do uso pacífico da tecnologia nuclear, mas são necessárias para produzir material para armas nucleares", disse o diplomata americano. Título e texto alterados às 14h16

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